A cidade do Rio de Janeiro se tornará o centro da perfumaria nos dias 21 e 22 de outubro, quando o EXC Jockey Club recebe a primeira edição da Granado Perfume Week. Organizada pela tradicional casa carioca e aberta ao público geral, a feira inédita é focada em educação olfativa e reunirá casas de fragrâncias, especialistas, perfumistas conceituados e criadores de conteúdo para expandir o conhecimento do consumidor final.
Diretora de marketing da Granado, Sissi Freeman detalha que o projeto surgiu da percepção do crescente interesse das pessoas nas redes pelo tema, que nem sempre vem acompanhado de profundidade técnica. “A perfumaria é um assunto que está em alta, que tem engajado nas redes sociais, mas percebemos que ainda existe muita falta de informação. Isso acontece porque a popularização do tema nas plataformas digitais nem sempre vem acompanhada de conhecimento sobre os processos criativos, os ingredientes e o trabalho que existe por trás de uma fragrância”, diz Sissi.
Quebrando preconceitos no mercado nacional
A proposta da imersão é também combater estereótipos que ainda cercam a produção brasileira, trazendo visibilidade para marcas independentes. “Existe uma crença de que o que é feito no Brasil é “dupe” ou que não tem a mesma criatividade que encontramos lá fora. Muito pelo contrário! Em nossas viagens de pesquisa, percebemos que somos vistos como uma indústria que traz algo diferente, colorido, que não necessariamente segue as tendências impostas por marcas gringas e que, de certa forma, até dita tendência”.
Segundo levantamento da Euromonitor, o Brasil ocupa o posto de segundo maior mercado consumidor de perfumes do mundo. Apesar do volume grandioso, estruturar um ecossistema com prestígio global é um processo complexo. “Se nós, que temos quase 150 lojas, entre Granado e Phebo, sofremos, imagina alguém que está começando, não tem aonde vender, está presente apenas no digital e se depara com comentários como: ‘Ah, é tão caro e é nacional’. Sim, é caro fazer um produto de qualidade no Brasil. As matérias-primas, assim como as embalagens, vêm todas de fora”, pontua a executiva.
Relíquia de Versalhes e lançamentos exclusivos
Entre os grandes destaques da Perfume Week está a vinda da Osmothèque, tradicional conservatório internacional fundado em Versalhes, na França. A instituição levará ao público fragrâncias históricas intactas, incluindo a composição de 1921 do Chanel N°5. “A Osmothèque é como se fosse um museu da perfumaria”, explica Sissi. “A cada ano, certos ingredientes passam a ser proibidos, o que nos leva a substituições e adaptações, mas o conservatório guarda algumas fórmulas originais, entre elas a primeira edição do Chanel N°5, que poderá ser sentida no evento. Vai ser uma aula olfativa!”
A programação também servirá de vitrine para novos passos da própria anfitriã. A marca apresentará extratos de perfume inspirados em três grandes sucessos de seu catálogo: Boemia, Rosa Sublime e Époque Tropical. Elaboradas com concentração de 40% em conjunto com seus perfumistas originais, as novas versões agregam notas intensas como ládano, incenso e couro. “Estou torcendo para que esta seja a primeira de muitas Perfume Week. Quem sabe a gente faz a próxima em São Paulo?”, projeta Sissi.
Presença global e renovação da Phebo
A realização do evento coincide com a acelerada presença internacional da empresa. Ao longo de 2026, a Granado abriu lojas físicas em Madri e em Charleston, nos Estados Unidos, com previsões de desembarcar em Milão e Chicago até o encerramento do ano. “Fora do Brasil, como não somos conhecidos, as lojas são uma forma de mostrar a nossa experiência completa”, explica Sissi.
Essa internacionalização inclui parcerias gastronômicas na Europa, como a sobremesa criada pela cafeteria Copains (com unidades em Bruxelas, Londres e Paris) baseada no perfume Yes, Nós Temos Banana!. Apesar do forte interesse vindo da Austrália, Ásia e Oriente Médio, a companhia mantém o foco estruturado: “Todo o nosso investimento é próprio. Então, não conseguimos abraçar todas as demandas”.
O convívio fora do país reforçou também a valorização da identidade nacional, evidenciada no uso de elementos como cacau e caju em suas fórmulas. “Estar lá fora nos deu a força de entender que representamos o Brasil e não só podemos como devemos fazer coisas diferentes, que não existam, com o nosso jeito e a nossa cara”, afirma Sissi.
Paralelamente, o grupo desenha o novo momento da Phebo, cuja separação dos pontos físicos da Granado começou em abril. Focada na cultura do Norte do país e na tradição da perfumaria paraense, a Phebo planeja abrir pelo menos 10 lojas exclusivas em 2027. “Ano que vem é de expansão total”, promete Sissi.
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