A Whirlpool, multinacional norte-americana detentora das marcas Brastemp e Consul, decidiu fechar uma unidade fabril na Argentina para transferir a fabricação de máquinas de lavar para o Brasil. A companhia aplicou R$ 300 milhões em sua planta situada em Rio Claro, no interior paulista, cidade escolhida para expandir as operações industriais após as recentes alterações econômicas promovidas pelo governo de Javier Milei.
A reestruturação industrial foi anunciada após o encerramento definitivo das atividades na fábrica localizada em Pilar, na Argentina, em novembro de 2025. O movimento de transferência ganhou confirmação em abril, enquanto o aporte financeiro foi revelado em maio durante uma visita oficial do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, à planta no estado de São Paulo.
No país vizinho, a fabricante encontrava sérios obstáculos para manter a competitividade diante da enxurrada de produtos importados e dos elevados custos operacionais locais, culminando na demissão de 220 funcionários. Em contrapartida, a expansão no território brasileiro visa consolidar a unidade de Rio Claro como um dos maiores centros produtivos de lavadoras em toda a América Latina.
Crescimento e tecnologia em São Paulo
Com a mudança de rota, o Brasil passou a concentrar a confecção de lavadoras com abertura frontal, categoria que abrange os modelos lava e seca. O montante investido viabilizou a introdução de inovações tecnológicas, melhorias nos processos de automação e a criação de um polo voltado ao desenvolvimento de eletrodomésticos direcionados a toda a região latino-americana.
Durante sua passagem pela fábrica paulista para inspecionar as obras de ampliação, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o projeto como um marco para a recuperação e consolidação do setor industrial brasileiro.
Além da abertura inicial de 200 vagas diretas de trabalho divulgada pela administração municipal de Rio Claro, projeções do governo federal estimam a geração de até 2.800 postos de trabalho, somando empregos diretos e indiretos que compõem toda a cadeia de suprimentos da planta.
Fatores da crise argentina
Inaugurada em 2022 com um aporte próximo a US$ 50 milhões, a fábrica argentina teve suas atividades encerradas apenas três anos mais tarde. A guinada na política econômica da gestão de Javier Milei, marcada pela abertura comercial e facilitação de importações, acirrou a concorrência enfrentada pelos eletrodomésticos locais.
A queda nas alíquotas de importação, que recuaram de 35% para 20%, gerou forte pressão sobre a indústria nacional do país vizinho, dificultando também a competitividade das exportações da empresa. Para justificar a manobra, a direção da companhia citou a soma de gastos elevados, concorrência estrangeira, desaquecimento do consumo interno e a necessidade de otimizar sua rede internacional de fabricação.
Apesar do encerramento da linha de montagem em solo argentino, a multinacional assegurou que continuará comercializando seus produtos no mercado local, que agora será abastecido por itens importados de outras fábricas da rede global, com destaque para a unidade brasileira.
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