A corrida eleitoral injetou um fôlego inédito na indústria gráfica do país, resultando em um crescimento de 25% na receita em comparação ao ano anterior e revertendo anos consecutivos de retração para o setor.
Com o parque fabril operando a todo vapor em três turnos, empresários atenderam a demandas gigantescas, como os 100 milhões de folhetos de quatro páginas encomendados por um único partido — volume suficiente para abastecer 63% dos 158,7 milhões de eleitores aptos a votar no país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Retomada após anos de crise
O avanço surpreendeu o mercado e garantiu capital de giro para as empresas enfrentarem os primeiros meses de 2027. O cenário contrasta com o histórico recente de quedas: no primeiro semestre de 2025, por exemplo, a produção física da indústria gráfica encolheu 4,3%, puxada principalmente por um recuo de 7,1% no núcleo de atividades de impressão, que engloba livros, revistas e impressos profissionais.
As dificuldades foram agravadas pela pandemia da Covid-19, período em que a produção despencou 25% em 2020, enquanto as atividades de impressão encolheram 38,7%. Diante da dificuldade de recuperar essas perdas com o avanço dos meios digitais, o setor vinha buscando alternativas em embalagens, rótulos e etiquetas.
O papel da campanha híbrida e as regras da urna
Apesar do forte protagonismo das redes sociais, a busca por santinhos, panfletos, encartes e folhetos superou pleitos anteriores. Para especialistas e lideranças do setor, a desconfiança em relação a mensagens digitais e a necessidade de estratégias híbridas impulsionaram o papel.
“A explicação que ouvi de partidos é que era preciso fazer uma campanha mais híbrida porque as pessoas estavam ficando desconfiadas de mensagens que chegam por WhatsApp. Talvez o material impresso seja mais confiável. Isso ajudou a aumentar nossa receita”, diz Fabio Gabriel dos Santos, dono da Leograf e vice-presidente do Sindigraf-SP.
O cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, aponta que a proibição do uso de celulares na cabine de votação e a necessidade de memorizar números para cinco cargos diferentes tornaram o santinho indispensável.
“Um tópico importante é o voto ser por número. O santinho funciona e nenhum elemento de redes sociais cumpre essa função de lembrete em uma eleição com tantos cargos”, avalia Prando. Ele também destaca que o pleito acirrado e fragmentado estimulou as campanhas a disputarem cada voto nos territórios.
A alta, no entanto, concentrou-se nas gráficas de maior porte, capazes de absorver grandes volumes e cumprir prazos exíguos, com entregas solicitadas da noite para o dia.
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