Esquecido no organograma, jovem de 27 anos vira aposta da Cisco para a era da IA

Jovem de 27 anos ganha missão milionária na Cisco com foco em IA

Economia

Enquanto o mercado demonstra ceticismo em relação à geração Z e corta vagas iniciais por causa da inteligência artificial, a alta gestão da Cisco adota uma postura completamente oposta. Jeetu Patel, presidente e diretor de produtos da companhia, decidiu entregar uma das tarefas mais cruciais da corporação a um jovem de apenas 27 anos que estava “escondido” cinco níveis abaixo dele no organograma.

“Eu dei a ele tokens ilimitados porque vai refatorar código”, afirmou Patel. “Então eu disse: pode ir em frente, pode enlouquecer.”

O responsável pela missão é Padmanabhan Krishnamurthy, apelidado de “Paddy”. Ele chegou à Cisco em 2025 após a aquisição da EzDubs, startup de tradução em tempo real que ele havia fundado em 2023. Mesmo tendo atuado como empreendedor e CEO, Krishnamurthy inicialmente ocupava uma posição considerada pouco estratégica. O cenário mudou durante um encontro dos dois no escritório da Cisco em São Francisco, quando o jovem propôs reescrever o código legado da empresa contando com um grupo de apenas duas pessoas.

De acordo com Patel, nem os especialistas mais fervorosos em IA dentro da organização tinham pensado em uma alternativa parecida. Agora, Krishnamurthy dispõe de quatro semanas para validar sua tese, com a meta grandiosa de refatorar 98% do código legado da Cisco ao longo de 24 meses.

Geração Z como vetor de inovação

Para Patel, as empresas cometem um erro grave ao limitar grandes responsabilidades estritamente aos profissionais seniores. “Se você não contrata pessoas em início de carreira e simplesmente mantém sua força de trabalho da mesma forma, de onde virão as novas ideias? Como desafiar o status quo?”, questionou.

O executivo aponta que, embora os veteranos sigam inovando, os jovens fazem indagações que somente quem não acumula décadas de vivência corporativa faria. Patel admite que unir a geração Z a funcionários com anos de casa gera atrito, mas enxerga isso com bons olhos. “A tensão é boa”, afirmou. “Eu tento criar tensão nas equipes porque você quer atrito nas ideias. O que não quer é atrito entre pessoas.”

Ele também adota seus estagiários como mentores reversos. Um exemplo ocorreu em uma palestra para bolsistas de Stanford com idades entre 17 e 18 anos. Uma aluna chamada Baya chamou sua atenção pela dedicação e por manter contato mensal via e-mail, relatando seus aprendizados sobre inteligência artificial. Ela acabou contratada como estagiária na Cisco e resolveu um problema técnico que os funcionários mais antigos não haviam conseguido solucionar. “Eu não a trouxe para fazer trabalho operacional ou inserir dados”, disse Patel. “Trouxemos para ensinar nossas equipes a pensar de forma completamente diferente.”

Outros líderes apostam nos jovens

A visão de Patel encontra eco em outros grandes nomes. Josh Kushner, fundador da Thrive Capital e investidor da OpenAI, declarou que prefere recrutar indivíduos com menos de quatro anos de experiência. Ao abrir sua gestora de investimentos aos 26 anos, Kushner rejeitou a pressão para contratar executivos cascudos, optando por formar um time com talentos de sua própria faixa etária. A tática funcionou, resultando em aportes precoces em gigantes atuais, como a OpenAI.

Alon Chen, fundador da Tastewise — startup de IA generativa utilizada por marcas como PepsiCo, Nestlé e Mars —, relata buscar ativamente profissionais da geração Z sem bagagem corporativa. “Eles não têm barreiras nem limitações na forma de pensar”, disse. “São praticamente nativos da IA.”

O músico Will.i.am, integrante do Black Eyed Peas e investidor de empresas como Tesla, OpenAI e Pinterest, reforça o coro ao apontar que as próximas inovações disruptivas devem nascer de jovens empreendedores em centros acadêmicos como Stanford e MIT.

A combinação que gera valor

Na visão de Patel, o sucesso futuro das companhias reside na mescla de perfis complementares. Ele detalha que cerca de um terço de sua equipe é composto por operadores seniores com profundo conhecimento interno da Cisco. Outro terço abrange especialistas de mercado com perspectiva externa. Por fim, o restante engloba fundadores, CEOs e engenheiros com veia empreendedora e familiaridade nativa com a inteligência artificial.

“Cada um desses grupos isoladamente é menos poderoso do que os três trabalhando juntos”, afirmou. “É isso que cria a mágica.”

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