Exército do Lula inspira movimentos na França, Espanha e Argentina e dobra de tamanho em 2 dias

Estratégia digital brasileira do Exército do Lula inspira a esquerda no exterior

Estilo de Vida

A estratégia de mobilização digital criada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para ajudar na reeleição do presidente Lula ultrapassou as fronteiras brasileiras e virou inspiração internacional para movimentos de esquerda na França, Espanha e Argentina. O impacto do modelo já trouxe resultados expressivos: os canais estrangeiros inspirados na iniciativa brasileira mais que dobraram de tamanho em apenas dois dias, saltando de 123 mil para 249 mil seguidores, o que representa um crescimento de 102,44%.

Durante o período eleitoral no Brasil, o movimento nacional ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores no WhatsApp. Agora, essa mesma estrutura serve de exemplo para grupos que buscam consolidar candidaturas progressistas e combater o avanço da extrema-direita em outras nações. O método consiste em agrupar apoiadores, delegar tarefas diárias e impulsionar o alcance de postagens nas redes sociais.

O ritmo de adesão continuou acelerado e, até a sexta-feira (30), os três canais internacionais já acumulavam cerca de 269 mil seguidores no total. Desse montante, a França liderava com 161 mil participantes, seguida pela Argentina com 65 mil e pela Espanha com 43 mil.

O avanço na Europa e na América Latina

Na França, o canal L’équipe de Mélenchon officielle, fundado para apoiar Jean-Luc Mélenchon nas eleições presidenciais de 2027, apresentou o avanço mais expressivo. O espaço subiu de 57 mil para 147 mil seguidores em apenas 48 horas, alta de quase 158%, ultrapassando a marca de 160 mil na contagem mais recente. Líder do partido França Insubmissa, Mélenchon conta com a participação do deputado Antoine Léaument na comunicação da iniciativa.

Ao comentar a adoção da tática brasileira, Léaument elogiou a eficiência da ferramenta: “Essa técnica de mobilização é excelente. Nós também a estamos colocando em prática na França”, afirmou o parlamentar, segundo tradução publicada pela imprensa.

Na Espanha, o canal La Fuerza de la Gente, voltado ao apoio do primeiro-ministro Pedro Sánchez, cresceu de 25 mil para 42 mil seguidores em dois dias, alta de 68%. O intuito é fortalecer o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) nas eleições gerais de 29 de novembro.

Enquanto isso, na Argentina, o Ejército del Peronismo uniu apoiadores da oposição ao presidente Javier Milei e foi de 41 mil para 60 mil integrantes no mesmo intervalo. Criado em 25 de outubro — coincidentemente o dia da reeleição de Lula —, o canal argentino cita o Exército do Lula como referência direta para organizar a militância rumo à eleição presidencial de 2027. Em todos os três países, os participantes recebem orientações diárias para disseminar conteúdos, recrutar novos usuários e dar visibilidade a mensagens políticas.

Convites internacionais para Janones

A repercussão global da estratégia digital também rendeu convites diretos a André Janones. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chamou o parlamentar brasileiro para colaborar com o planejamento digital da campanha eleitoral na Espanha. A articulação ocorreu por meio de intermediários e conversas futuras devem definir os moldes da participação e os detalhes da viagem, embora ainda não haja confirmação oficial de que o deputado tenha aceitado.

Além disso, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, convidou Janones para uma visita de trabalho ao país com o objetivo de debater ações conjuntas destinadas a fortalecer grupos de esquerda. O convite foi repassado via representação diplomática mexicana e o cronograma da viagem ainda está em aberto.

Origem e futuro do modelo

Idealizado durante a disputa eleitoral brasileira, o Exército do Lula se consolidou como a principal ferramenta digital de mobilização para os apoiadores do presidente. Sob a liderança de Janones, o canal distribuiu instruções para compartilhar vídeos, comentar publicações, atrair novos membros e coordenar campanhas de divulgação. Entre as orientações, os seguidores eram instruídos a ignorar, não comentar e não compartilhar conteúdos de figuras da extrema-direita, como Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após a derrota nas urnas.

O sucesso da iniciativa chamou a atenção por burlar e forçar o algoritmo de plataformas de big techs estrangeiras, direcionando conteúdos favoráveis a Lula. Com o encerramento do pleito no Brasil, o método passa a ser adaptado para novos cenários políticos internos. Setores do governo defendem a manutenção do canal para engajar a população em torno de propostas debatidas no Congresso Nacional, cenário que atualmente conta com maioria de parlamentares de direita na Câmara e no Senado. Até o momento, contudo, não foram detalhadas as formas como a participação popular poderá influenciar a atuação dos legisladores na aprovação de pautas governistas.

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