Impacto da diversidade deve constar de avaliação do ensino superior, dizem especialistas em debate

Especialistas pedem foco em diversidade na avaliação do ensino superior

Educação

Especialistas defenderam considerar as diferenças entre instituições, territórios e perfis dos estudantes ao avaliar o impacto do ensino superior na sociedade, durante seminário realizado nesta sexta-feira (6), em São Paulo. O evento ocorreu em parceria com o Insper e debateu os rumos da educação superior no país.

O seminário “RUF – Universidades e Desenvolvimento do País” teve duas mesas: a primeira abordou os desafios da formação, incluindo o uso da inteligência artificial no ensino; a segunda tratou da avaliação das contribuições das instituições para áreas como políticas públicas, inovação e mercado de trabalho.

Na abertura, Guilherme Martins, presidente do Insper, disse que os rankings ajudam a orientar escolhas de estudantes e de empresas que buscam parceiros para desenvolver pesquisas. Para ele, a relevância das instituições deve ser compreendida a partir de suas contribuições em diferentes frentes, como ensino, pesquisa e inclusão. Na primeira mesa, “Formação para Transformar o País”, Martins afirmou que as universidades já não são as únicas detentoras do conhecimento e que a inteligência artificial pode permitir um ensino mais personalizado, adaptado ao ritmo e à forma de aprender de cada aluno.

Ronaldo Mota defendeu que a avaliação da aprendizagem vá além das notas das provas e considere a capacidade dos alunos de refletir sobre o próprio desempenho e aplicar o conhecimento em diferentes contextos. Ele é titular da Cátedra em Inteligência Artificial e Metacognição na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), junto ao Colégio Brasileiro de Altos Estudos, e membro do Conselho do RUF.

Francilene Procópio, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), defendeu ampliar a presença de pesquisadores no setor privado e afirmou que a maioria dos pesquisadores formados está empregada nas universidades públicas.

Desafios na medição de impacto

Na segunda mesa, “Medindo o Impacto das Universidades na Sociedade”, Marília Augusta de Freitas, bibliotecária e professora da UnB (Universidade de Brasília), destacou que o volume de publicações e citações não revela, por si só, as mudanças produzidas pelas pesquisas na vida das pessoas. Para Marília, a avaliação precisa considerar que as instituições têm diferentes missões, recursos e contextos territoriais. Essa diversidade, afirmou, dificulta a adoção de um modelo único para medir o impacto social das universidades.

Cristine Pinto, professora do Insper, apresentou um projeto da instituição para acompanhar o impacto das pesquisas em áreas como políticas públicas, inovação e mudanças nas organizações. Ela também apontou os limites das citações como medida desses resultados. Segundo ela, ampliar a avaliação para além de artigos e citações também ajuda a estimular os pesquisadores a acompanhar a aplicação do conhecimento que produzem.

Maria Angélica Minhoto, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenadora do SoU_Ciência, defendeu acompanhar a trajetória profissional e acadêmica dos formados, considerando as desigualdades anteriores ao ingresso no ensino superior. Ao apresentar pesquisas sobre emprego e remuneração de egressos, Maria Angélica ressaltou que os resultados dependem também da origem social, da raça e do gênero dos estudantes, além das condições de cada território. Por isso, defendeu considerar essas diferenças para identificar a contribuição das instituições na redução das desigualdades.

Os debates tiveram mediação de Estêvão Gamba, coordenador do RUF. Ao final do seminário, ele e Luciana Chong, diretora do Datafolha, responderam a perguntas da plateia sobre os critérios, os indicadores e as metodologias usados na elaboração do ranking.

O encontro foi realizado duas semanas após o lançamento da edição 2026 do RUF (Ranking Universitário Folha). Produzido desde 2012, o levantamento avalia o ensino superior brasileiro e, neste ano, classificou 205 universidades públicas e privadas a partir de cinco indicadores: pesquisa, ensino, mercado de trabalho, inovação e internacionalização. A edição também reuniu rankings de cursos nas 42 carreiras de graduação com maior número de ingressantes no país.

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