O posto de referência máxima na trajetória musical de James Hetfield pertence a uma figura seminal do heavy metal: Tony Iommi. À frente do Metallica há mais de quarenta anos, o guitarrista e vocalista ressaltou que o arquiteto sonoro do Black Sabbath foi o elemento determinante para a construção de sua identidade na guitarra rítmica e no processo de composição.
A engenharia dos riffs do Black Sabbath
A reverência mais recente ocorreu durante uma edição do programa de rádio James Hetfield’s Riff Life, veiculado na SiriusXM. Ao refletir sobre a concepção de timbres e melodias marcantes, o músico de 63 anos enfatizou o pioneirismo de Iommi ao erguer uma assinatura própria para o instrumento:
“Tony Iommi é o Deus dos riffs em minha opinião. Foi quem me inspirou mais do que qualquer outro guitarrista para meu estilo na guitarra rítmica e na composição.”
Para ilustrar essa mecânica, Hetfield selecionou “Children of the Grave”, clássico gravado pelo Sabbath no álbum Master of Reality, de 1971. Na análise do líder do Metallica, a forma como os instrumentos gravitam em torno da ideia principal traduz a genialidade do guitarrista britânico:
“O riff de ‘Children of the Grave’… Tony é o Deus dos riffs e todos começam a música juntos, no mesmo riff. Basicamente, Tony cria versões a partir desse riff, entra com acordes enormes, o que abre a música. Realmente amo o overdub de bateria que eles fizeram para ajudar com a percussão daquele riff e aqueles sons fantasmagóricos de guitarra bem no final.”
O protagonismo da base pesada no palco
Essa profunda admiração do músico norte-americano já havia sido detalhada em 2023, em texto publicado pela Classic Rock. Na época, James recordou o impacto visual e sonoro das apresentações do quarteto de Birmingham, lembrando de Ozzy Osbourne e elegendo “Into the Void” como sua obra predileta:
“Sendo um cara de riffs e ritmo, meu guitarrista favorito é Tony Iommi, sem dúvida. Ele parecia um desses gênios silenciosos. Em um momento do Black Sabbath, assumiu a posição que normalmente seria a do vocalista no palco, enquanto Ozzy ficava na lateral. Era um recado de que o riff era mais importante do que os vocais. Tudo em tom menor, trazendo aquela sensação. Ele pode ir do riff doom para um modo feliz e ainda soaria pesado. Nós não conseguimos, mas Tony consegue. Minha música favorita é ‘Into the Void’.”
O depoimento evidencia o elo direto entre os pioneiros britânicos dos anos 1970 e a consolidação do thrash metal a partir da década seguinte, reafirmando que os alicerces construídos por Iommi seguem fundamentais para as maiores referências do rock mundial.
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