Maduro e esposa se declaram inocentes de acusações de tortura dos EUA

Maduro e esposa rejeitam acusação de tortura na Justiça dos EUA

Entretenimento

O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes perante a Justiça dos Estados Unidos em relação a uma nova imputação formal que os acusa de conspiração para torturar adversários políticos. A manifestação ocorreu durante audiência no tribunal federal de Manhattan, em Nova York.

As novas acusações ampliam de maneira expressiva a ação penal movida pelas autoridades norte-americanas contra Maduro, de 63 anos, e Flores, de 70. O casal já havia rejeitado anteriormente as denúncias de abuso de poder voltadas a facilitar o transporte de carregamentos de cocaína para o narcotráfico.

Detidos desde uma ação militar autorizada pelo presidente Donald Trump em 3 de janeiro, quando foram retirados de sua residência em Caracas e transferidos para solo norte-americano, os dois compareceram perante o juiz Alvin Hellerstein. Ambos trajavam uniformes prisionais bege e tinham os tornozelos contidos por algemas.

Durante a sessão, ao ser questionado sobre seu posicionamento diante do processo, Maduro rebateu as alegações, afirmando que elas já haviam sido apresentadas no passado e careciam de veracidade.

“Eu vi tudo, juiz Hellerstein”, declarou Maduro, referindo-se à acusação. “Rejeito este documento na íntegra.”

O magistrado interrompeu a fala do ex-mandatário para registrar formalmente a contestação de culpa. Na sequência, Flores também se pronunciou de forma enfática: “Sou totalmente inocente. Não sou culpada.”

A promotoria não sustenta que o casal tenha executado diretamente as agressões físicas. Contudo, caso recebam veredito de culpa em todas as acusações, ambos estarão sujeitos a uma pena mínima legal de 50 anos de reclusão. Diante da inclusão dos novos fatos ao processo, Hellerstein postergou a abertura do júri em duas semanas, remarcando a data de início para 14 de junho de 2027.

Alegações da promotoria

De acordo com os procuradores federais de Manhattan, Maduro teria determinado que agentes estatais venezuelanos submetessem a torturas integrantes da oposição e membros das Forças Armadas suspeitos de planejar conspirações, com o objetivo de assegurar sua permanência no poder.

O processo descreve uma reunião ocorrida em 2014 na qual Maduro teria ordenado a captura de militares para obter dados sobre dissidentes, instruindo os subordinados a “apertá-los com mais força” diante de qualquer resistência. Os autos apontam que Flores anuiu com a determinação e descartou a alternativa de infiltrar agentes nas tropas.

Cenário político e desdobramentos

As tensões entre Washington e o governo de Maduro perduraram ao longo de seus 13 anos na presidência da Venezuela. No período, administrações norte-americanas sucessivas aplicaram sanções severas contra autoridades do país e companhias estatais, alegando fraudes em eleições, corrupção e desrespeito aos direitos humanos. Por outro lado, Maduro sustentava que os EUA tentavam derrubá-lo para controlar as reservas de petróleo venezuelanas.

Atualmente, Maduro e Flores permanecem sob custódia no Centro de Detenção Metropolitano, localizado no Brooklyn. Na Venezuela, o poder executivo passou a ser chefiado pela ex-vice-presidente Delcy Rodríguez, que vem estreitando laços e ampliando a cooperação diplomática com os Estados Unidos.

A ofensiva contra Maduro e as mudanças nas relações bilaterais têm sido apresentadas por Trump como um dos principais trunfos de sua política externa na campanha para as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *