Um juiz federal rejeitou pela segunda vez, neste sábado (31), um processo por difamação movido pelo presidente Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal por uma reportagem que ligava o presidente ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
A disputa judicial começou após a publicação de uma matéria, em 17 de julho de 2025, intitulada: “Amigos de Jeffrey Epstein enviaram a ele cartas picantes para um álbum de 50º aniversário. Uma delas era de Donald Trump”. O texto descrevia uma mensagem, aparentemente enviada pelo republicano, que fazia parte de um álbum preparado para Epstein em 2003 com os dizeres: “Feliz aniversário —e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso”.
Conforme a publicação, a folha trazia o desenho de uma mulher nua, acompanhado pela assinatura de Trump logo abaixo da cintura, simulando pelos pubianos. O jornal também registrou a negativa do político: “Isso não é meu. Isso é falso”, disse Trump, segundo a reportagem.
Diante disso, o presidente alegou que o veículo jornalístico difamou seu “caráter e integridade” ao divulgar a mensagem obscena que ele supostamente teria escrito para Epstein mais de duas décadas antes. Negando a autoria da carta, Trump processou o WSJ e exigiu o pagamento de US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) em indenização. A ação judicial também incluiu como réus a controladora News Corp, seu fundador Rupert Murdoch, o CEO Robert Thomson, a editora Dow Jones e dois jornalistas.
Decisão do tribunal O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos do Sul da Flórida, atendeu ao pedido da defesa do jornal para extinguir o processo, argumentando que o presidente “não conseguiu” demonstrar que o Wall Street Journal “agiu com dolo efetivo”.
O dolo efetivo consiste em um padrão jurídico que figuras públicas precisam comprovar em litígios de difamação. O conceito estabelece que os réus tinham plena ciência de que o conteúdo divulgado era falso ou demonstraram imprudência e desprezo pela veracidade dos fatos.
“Na prática, o presidente Trump argumenta que, depois que declarou que a carta era ‘falsa’, os réus deveriam ter desconsiderado todo o restante que descobriram em sua investigação e não publicado a reportagem”, escreveu Gayles em uma decisão de 20 páginas. “Mas não é isso que o critério do dolo efetivo exige, e tal argumento viola a Primeira Emenda [que garante liberdade de imprensa].”
Com a determinação, Gayles encerrou o caso em caráter definitivo, impedindo que a mesma acusação seja ajuizada novamente.
Reações das partes Em um pronunciamento oficial, um representante da equipe jurídica de Trump declarou: “O presidente Trump continuará levando adiante sua contundente ação judicial contra The Wall Street Journal e todos os outros réus”. E acrescentou: “O presidente continuará responsabilizando por seus atos aqueles que enganam o povo americano com notícias falsas e difamações.”
Por sua vez, um porta-voz da Dow Jones manifestou o posicionamento da empresa: “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal”.
Logo após a veiculação da matéria original, advogados do espólio de Epstein repassaram uma cópia do livro comemorativo aos membros do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes. O documento continha uma carta e um desenho equivalentes aos apontados pela imprensa. A obra, com 238 páginas, foi organizada por Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Epstein, que acabou condenada por dar suporte em seus esquemas de abuso sexual.
Conhecido por suas críticas recorrentes aos meios de comunicação, o presidente frequentemente utiliza o sistema judicial para contestar coberturas jornalísticas que considera desfavoráveis ou injustas. Nos últimos anos, ele ingressou com medidas semelhantes contra redes e jornais como The New York Times, BBC e CNN.
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