Meta adia regras que permitiriam coletar conteúdos jornalísticos sem compensação

Meta adia nova regra que coleta conteúdos para inteligência artificial

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A Meta decidiu adiar, na última sexta-feira (23), a implementação de novos termos de uso voltados a contas empresariais, que dariam autorização para a companhia monitorar e recolher publicações desses perfis com o objetivo de utilizá-las sem autorização prévia. A nova data estipulada para a entrada em vigor das regras é o próximo dia 20 de novembro.

O recuo da gigante tecnológica ocorreu na sequência de fortes contestações vindas, sobretudo, de produtores de conteúdo jornalístico que dependem das plataformas da empresa para distribuir seus materiais. O setor argumenta que as modificações abrem margem para a apropriação de produções protegidas por direitos autorais sem qualquer tipo de remuneração, permitindo que a big tech utilize os dados da maneira que julgar adequada, inclusive para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Novo prazo para esclarecer mudanças

Anunciadas inicialmente para o dia 30 de outubro, as novas diretrizes comerciais provocaram revolta na News/Media Alliance, organização que agrupa mais de 2.000 jornais, periódicos e portais de notícias nos Estados Unidos. A associação classificou as alterações como altamente danosas para o mercado.

“Os editores de notícias serão forçados a fornecer seu valioso jornalismo para apoiar o desenvolvimento de produtos que podem ser usados para competir com eles por leitores e anunciantes, sob coação e sem compensação”, escreveu a organização.

Em carta endereçada ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, a News/Media Alliance pediu a retirada da cláusula de rastreamento das regras atualizadas. A entidade apontou ainda que os veículos de imprensa ficam sem alternativa, pois não conseguem bloquear os rastreadores da empresa sem comprometer a divulgação de seus trabalhos e restringir o público.

Diante das contestações, a dona do Facebook chegou a excluir a menção direta ao treinamento de inteligência artificial e restringiu o uso dos dados a finalidades publicitárias e comerciais, mas a medida não foi suficiente para tranquilizar o setor.

Em declaração à Fast Company, um porta-voz da Meta informou que o tempo extra até a nova data será aproveitado para “explicar aos nossos parceiros e partes interessadas o que está mudando e o que não está”. A corporação também pretende detalhar de que forma os criadores de conteúdo podem indicar suas restrições de rastreio utilizando o mecanismo robots.txt.

Apesar dos esclarecimentos, ainda permanece incerto se novas alterações serão implementadas. Nas diretrizes revisadas, a empresa ressalta que os perfis que rejeitarem as condições podem “interromper todo tipo de acesso ou uso de nossos produtos para fins comerciais ou empresariais”.

Outras entidades do setor de comunicação também repudiaram a atualização, a exemplo da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), do European Publishers Council e do grupo Movement for an Open Web.

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