As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos entraram em seu último fim de semana com o governo pressionando por uma investigação criminal sobre a disputa decisiva para o Senado no Alasca e sinalizando que provavelmente levará à Suprema Corte sua contestação sobre milhares de cédulas enviadas pelo correio na Califórnia.
No centro da disputa estão as 35 vagas em jogo no Senado e todas as 435 cadeiras da Câmara, que definirão se os republicanos manterão o comando do Congresso durante os dois anos finais do atual mandato. Atualmente, o partido detém uma maioria de 53 a 47 no Senado e uma vantagem apertada na Câmara. Uma eventual derrota em qualquer uma das Casas daria aos democratas o poder de bloquear a agenda governamental e iniciar investigações contra a gestão atual.
A votação antecipada já registrou marcas históricas. Mais de 51 milhões de eleitores norte-americanos votaram de forma presencial ou via correio, superando o patamar de quase 46 milhões contabilizado antes do pleito de meio de mandato anterior, em 2022, segundo dados do Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida. Enquanto isso, o presidente cumpriu agenda em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida, antes de seguir para comícios no Kansas e em Iowa.
Investigação criminal e embates judiciais No Alasca, promotores federais apuram se assessores da candidata democrata Mary Peltola participaram do recrutamento de um professor aposentado, Daniel J. Sullivan Jr., para concorrer ao pleito apenas por carregar o mesmo nome do senador republicano Dan S. Sullivan. A vaga é vista como estratégica para as aspirações democratas de retomar o controle do Senado na votação marcada para esta terça-feira (3).
O procurador federal Michael Heyman relatou que a repercussão de uma reportagem jornalística resultou em um reforço expressivo no efetivo do FBI dedicado ao caso. Heyman classificou o caso como uma tentativa de inserir um “candidato falso”, embora não tenha especificado o enquadramento penal. Tanto Peltola quanto o comitê de campanha refutaram qualquer participação na articulação, e o professor aposentado também negou coordenação com a equipe da candidata.
Paralelamente, na Califórnia, um tribunal federal de apelações rejeitou o pedido de emergência do Departamento de Justiça para forçar o Estado a desconsiderar votos por correspondência de mais de 20 mil eleitores registrados apontados pelo governo como supostos não-cidadãos.
“Hesito em dar uma resposta definitiva, mas acho que provavelmente a Suprema Corte será a próxima a se pronunciar sobre esse caso”, declarou o vice-procurador-garal interino Trent McCotter à Fox News, pontuando que eventual recurso será protocolado antes do dia da eleição.
Divisões partidárias e tensão institucional Em Michigan, a disputa acirrada entre o democrata Abdul El-Sayed e o republicano Mike Rogers evidenciou divisões internas após atritos entre El-Sayed e a deputada federal Haley Stevens. A campanha do candidato solicitou que a parlamentar ficasse ausente de seus eventos públicos até o encerramento do pleito, enquanto Stevens condicionou seu apoio público a uma retratação de El-Sayed sobre declarações passadas relacionadas a Israel.
Além dos conflitos estaduais, a gestão federal ajuizou ações contra cerca de 30 Estados e o Distrito de Columbia para obter listas eleitorais sem censura, gerando alertas entre autoridades locais que detêm a autonomia constitucional sobre a organização dos pleitos. Especialistas apontam que a estratégia busca gerar instabilidade, embora 76% dos eleitores mantenham confiança na precisão da contagem dos votos, conforme levantamento da Reuters/Ipsos.
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