Toda vez que visito a unidade da Vila Leopoldina do Esquina do Souza, faço a mesma promessa de que, na próxima visita, vou pedir apenas coxinha. É impossível não ficar com água na boca ao observar as porções generosas do salgado desfilando nas bandejas dos garçons.
O estabelecimento é administrado por Souza, profissional que passou pelo Veloso, boteco da Vila Mariana célebre justamente por suas coxinhas. Nas três sedes da rede — Vila Leopoldina, Pompeia e Vila Romana —, faz imenso sucesso a união entre o salgado e as caipirinhas da casa, cujos preços partem de R$ 38 e vêm descritas em lousas afixadas nas paredes de tijolinho aparente.
Apesar da tentação inicial, durante os dias úteis acabo sempre cedendo ao variado cardápio executivo, cujos combos com entrada, prato principal e sobremesa custam a partir de R$ 59. Para abrir o apetite, as alternativas incluem salada, bolinho de carne ou uma coxinha.
Entre os pratos principais, destacam-se o frango grelhado (servido com arroz, feijão preto e batatas fritas) e o bistrô, denominação charmosa para uma combinação clássica de boteco que reúne arroz, feijão preto, couve, ovo e pastéis de carne e queijo.
Gastronomicamente, a junção de arroz, feijão e pastel pode soar excessiva. Junte a isso a escolha prévia de uma coxinha e o cenário fica completo. Contudo, para paladares com apetite voraz como o meu, o deslize vale cada garfada em alguns pontos da metrópole.
Uma segunda faixa do menu executivo, comercializada a R$ 79, traz pratos principais como arroz caldoso de carne louca e filé à parmegiana.
Confesso ter uma relação de amor e ódio com parmegianas em geral. Processar uma carne à milanesa para depois cobri-la com molho e queijo é um contrassenso. Afinal, faz a casquinha perder a crocância. Mesmo assim, dificilmente resisto a experimentar quando encontro um.
Naturalmente, provei a versão do local. O prato chegou farto, coberto por uma generosa camada de queijo gratinado sobre o molho de tomate. O principal acerto foi o interior da carne, mantido macio e com tom avermelhado. O arroz estava solto e as batatas, fritas na hora e livres de processos industriais, revelaram-se muito saborosas. A crosta, como era de se esperar, não reteve a rigidez original, mas tampouco ficou encharcada.
Pelo mesmo valor, avaliei o prato feito que leva o nome da casa, composto por filé-mignon empanado à milanesa bem crocante — novamente com o miolo rosado e no ponto correto —, guarnecido por uma salada fresca de rúcula, tomate e palmito no topo.
Diante de porções tão generosas, sobra pouco espaço para a sobremesa, que já vem inclusa no executivo. Ainda assim, vale a pena encarar as opções de abacaxi com raspas de limão ou brigadeiro.
Nos finais de semana, o cardápio de pratos feitos continua disponível, mas com valores diferenciados. A movimentação também muda drasticamente e atinge níveis intensos. No último sábado, tive sorte ao garantir a única mesa desocupada, sendo atendido por uma equipe de 11 garçons em plena capacidade operacional, mantendo um serviço ágil e atento que não deixou o ritmo cair.
Fui de filé a cavalo (R$ 95). Bom, não sem antes pedir pelo menos uma coxinha (R$ 12, a unidade). Dei a primeira bocada pelos fundilhos. Uma fina camada crocante inaugurou a mordida que seguiu pelo interior gorducho e macio, cheio de um recheio cremoso de frango.
Em seguida, foi servido o medalhão acompanhado de ovo caipira, arroz, feijão preto e fritas. O único ponto negativo foi a gema, que veio cozida demais. Eu havia pedido o prato justamente na expectativa de vê-la escorrer sobre o arroz. Na próxima visita, farei questão de pedir a gema mole. Ou então, deixarei isso de lado e finalmente executarei o plano de almoçar exclusivamente coxinhas.
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