A França viveu neste sábado (31) o seu terceiro fim de semana seguido de protestos, que foram marcados por novos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança tanto em Paris quanto em outras grandes metrópoles do território nacional. Com o receio de saques e de uma onda generalizada de violência — apelidada de “noite das trevas” devido à coincidência da data com o Halloween —, o governo implementou um esquema excepcional de segurança que contou com 70 mil policiais civis e militares mobilizados pelo país.
Apesar de a operação ter conseguido conter uma escalada ainda maior da violência, ela não evitou episódios críticos, sobretudo no momento da dispersão dos atos oficiais. Dados divulgados pelo Ministério do Interior revelam um total de 565 pessoas detidas e cinco agentes das forças de segurança feridos. Enquanto as estimativas do governo apontam uma participação de 320 mil pessoas nas ruas, os organizadores do movimento calcularam um público de quase 500 mil manifestantes.
Ataques com coquetéis molotov
Na capital francesa, o incidente mais sério aconteceu próximo ao término da manifestação, na zona da Porte de Charenton. Na ocasião, grupos de manifestantes arremessaram pedras e coquetéis molotov contra os policiais. Um desses artefatos atingiu diretamente um agente, que acabou sofrendo ferimentos leves.
O episódio foi tratado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, como uma tentativa de homicídio. No total, cinco policiais ficaram feridos em Paris, sendo que três deles foram atingidos por coquetéis molotov.
A estratégia policial envolveu bloqueios, revistas rigorosas, cercos a facções de manifestantes e ações enérgicas para barrar o avanço de multidões em direção a áreas comerciais e centros urbanos. Na capital, veículos blindados já circulavam antes mesmo das concentrações começarem, enquanto o comércio protegeu suas vitrines utilizando placas de madeira. Em todo o país, foram feitas mais de 40 mil abordagens policiais para realizar revistas e confiscar materiais que pudessem representar riscos.
Conflitos fora da capital e tensão na Torre Eiffel
Apesar de todo o aparato, choques violentos também foram registrados em municípios como Marselha, Grenoble e Rennes. A polícia recorreu ao uso de gás lacrimogêneo, granadas de dispersão e jatos d’água para conter grupos que atiravam objetos e tentavam furar bloqueios nas ruas. Em Marselha, houve registro de incêndios e tentativas de saques.
O principal cartão-postal parisiense também virou cenário de novos confrontos no final da noite. Na praça do Trocadéro, em frente à Torre Eiffel, centenas de pessoas — muitas delas fantasiadas para as festividades de Halloween — reuniram-se para dançar, gravar vídeos e tirar fotos. Embora o clima fosse predominantemente festivo, pequenos grupos de manifestantes também se infiltraram no local.
A situação degringolou em tumulto quando a polícia invadiu a praça disparando gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Os manifestantes mais radicais revidaram atirando objetos e artefatos explosivos contra os policiais.
Esses atos ocorrem bem na véspera do retorno às aulas nos liceus, agendado para segunda-feira (2). Diante disso, organizações estudantis já confirmaram novas ações e planejam realizar bloqueios em escolas na terça-feira (3) e na quinta-feira (5), além de uma jornada de greves e protestos convocada pelos sindicatos para a próxima quinta-feira.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
