Os vencedores do Prêmio Jabuti 2026

Prêmio Jabuti 2026 revela seus vencedores na Sala São Paulo

Cultura

Os vencedores da edição de 2026 do Jabuti, o mais prestigioso prêmio literário do país, foram anunciados nesta terça-feira (27) durante cerimônia realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) na Sala São Paulo, na capital paulista.

O cenário literário nacional conheceu seus grandes destaques em uma noite marcada por importantes celebrações e disputas acirradas. Dividida em quatro eixos — Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação —, a 68ª edição do Jabuti premiou livros e projetos em 23 categorias, além do Livro do Ano. O ganhador de cada uma delas recebe a estatueta do prêmio e R$ 5 mil, enquanto o ganhador do Livro do Ano leva R$ 70 mil e uma viagem para uma das principais feiras internacionais de livros — Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara.

Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio (Companhia das Letras), de Ruy Castro, foi o ganhador do prêmio de Livro do Ano e também da categoria Biografia e Reportagem. Entre os premiados também aparecem Eliana Alves Cruz, vencedora da categoria Romance Literário; Alberto Martins, na categoria Poesia; Ian Fraser, em Romance de Entretenimento; Humberto Werneck, na categoria Crônica; e Abáz, em Conto. Mariana Lobato Botter levou o prêmio de romancista estreante, por Pitangas verdes (Labrador), enquanto Juliana Cajives o de poeta estreante, por História a que ninguém deu nome (Mormaço Editorial).

Homenagens especiais

A escritora gaúcha Lygia Bojunga, um dos grandes nomes da literatura infantojuvenil brasileira, foi a homenageada como Personalidade Literária, aos 94 anos de idade. O reconhecimento veio no mesmo ano em que seu clássico A bolsa amarela completa cinquenta anos de publicação. Além disso, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, morto em setembro, aos 95 anos, também recebeu uma homenagem da CBL.

Destaques nas principais categorias

O vencedor da categoria Romance Literário, uma das mais aguardadas da premiação, foi Meridiana (Companhia das Letras), de Eliana Alves Cruz, que superou os outros cinco finalistas: Coração sem medo (Todavia), de Itamar Vieira Junior; Dança de enganos (Companhia das Letras), de Milton Hatoum; Uma delicada coleção de ausências (Companhia das Letras), de Aline Bei; e Vez em quando, Billie Holiday (Record), de Evandro Affonso Ferreira.

Na disputa em Conto, ganhou a coletânea Massaranduba (Senac Rio), do baiano Abáz, que já tinha vencido o Prêmio Sesc de Literatura 2025 com o mesmo livro. Na categoria Crônica, o vencedor foi Viagem no país da crônica, do jornalista e escritor Humberto Werneck, publicado pela Tinta-da-China Brasil, selo editorial da Associação Quatro Cinco Um.

O poeta, editor e escultor Alberto Martins foi premiado por Boris e Marina (Companhia das Letras), que venceu em Poesia. Já na categoria Romance de Entretenimento, na qual disputam obras de ficção científica, suspense, terror e fantasia, o vencedor foi Cartografia para caminhos incertos (Intrínseca), de Ian Fraser.

Ganhador de duas estatuetas, Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio (Companhia das Letras), do jornalista e escritor Ruy Castro, descreve as mudanças que o conflito provocou no dia a dia da cidade e as disputas políticas ocorridas nos bastidores das discussões sobre a entrada oficial do Brasil na guerra. Foi o segundo ano seguido que o autor levou na categoria Livro do Ano — ele venceu em 2025 com a coletânea de crônicas O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim, também publicada pela Companhia das Letras.

Ainda entre os livros de não ficção, o Jabuti 2026 premiou Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990 (Todavia), organizado por Tulio Custódio, na categoria Artes; e Mario Sergio Cortella, que venceu em Negócios por Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança com propósito, comprometimento e proatividade (Record).

Confira a seguir a lista completa dos vencedores e finalistas em cada categoria:

Eixo: Literatura

Conto – Massaranduba (Senac Rio), de Abáz. Outros finalistas: – Corpo estranho: ferida fechada com a lâmina dentro (Viseu), de Marcos Vinicius de Paula. – Minha estranha loucura (Todavia), de Evandro Luiz da Conceição. – Nego tudo: ficções súbitas (Companhia das Letras), de Andréa del Fuego. – Tranças de meninas: contos (Alfaguara), de João Anzanello Carrascoza.

Crônica – Viagem no país da crônica (Tinta-da-China Brasil), de Humberto Werneck. Outros finalistas: – A sangue quente: crônicas cariocas (Labrador), de Hermés Galvão. – Aproveitar a vida e suas dores (Planeta), de Contardo Calligaris “em memória”. – Histórias miseráveis (Maralto Edições), de José Castello. – Lugares para chorar no Recife e outros (Seja Breve), de DJ Dolores.

Escritor Estreante — Poesia – História a que ninguém deu nome (Mormaço Editorial), de Juliana Cajives. Outros finalistas: – Lavra mareia (Patuá), de Camila Paoletti. – O silêncio é a música mais antiga do mundo (Patuá), de Kalu Coelho. – Radiografia das árvores (Cachalote), de Ivana Fontes. – Resto (Urutau), de George França.

Escritor Estreante — Romance – Pitangas verdes (Labrador), de Mariana Lobato Botter. Outros finalistas: – Cantagalo (Todavia), de Fernanda Teixeira Ribeiro. – Horas azuis (Companhia das Letras), de Bruna Dantas Lobato. – Índigo (Impressões de Minas), de Juca Magalhães. – Sutura (Patuá), de Roberta Barbosa.

Histórias em Quadrinhos – Ouroboros (Comix Zone), de Luckas Iohanathan. Outros finalistas: – Daruma: identidade (Pitaya), de Monge Han. – Reparações (Figura), de Marcelo Lelis. – Segue o baile (Veneta), de Magô Pool. – Você precisa saber de mim (nVersos), de Helena Cunha.

Infantil – A letra (Maralto), de Leo Cunha e Raquel Matsushita. Outros finalistas: – A baleia bailarina (Mannú), de Roberta Moysés. – Alfabeto atrapalhado (Asinha), de Juliane Bortolucci. – Eletricista (Elo), de Augusto Massi e Daniel Kondo. – Meu (Planeta do Brasil), de Alexandre Rampazo.

Juvenil – A única da sala (FTD), de Tathyana Viana. Outros finalistas: – A descoberta que mudou minha vida (InVerso), de Ingrid Haas. – A escola do fim do mundo (Arte Literária), de Júlio Emílio Braz. – Ana & Artur desvendam a China (Editora do Brasil), de Silvana Salerno. – Uma Maria (Xica Editorial), de Shirley Souza.

Poesia – Boris e Marina (Companhia das Letras), de Alberto Martins. Outros finalistas: – A dança áspera das raízes (Praga), de Bárbara Mançanares. – Antes de dar nomes ao mundo (Relicário), de Adriana Lisboa. – Diáspora não é lar (Pallas), de Nina Rizzi. – O jardim das oliveiras (Record), de Adélia Prado.

Romance de Entretenimento – Cartografia para caminhos incertos (Intrínseca), de Ian Fraser. Outros finalistas: – Aranha movediça (Moinhos), de Moacir Fio. – Instruções para desaparecer devagar (Faria e Silva), de Flávia Iriarte. – Moeda de troca (Rocco), de Lucas Mota. – O tesouro de Joaquim Nabuco (Obra Independente), de Fernando Lomardo.

Romance Literário – Meridiana (Companhia das Letras), de Eliana Alves Cruz. Outros finalistas: – Coração sem medo (Todavia), de Itamar Vieira Junior. – Dança de enganos (Companhia das Letras), de Milton Hatoum. – Uma delicada coleção de ausências (Companhia das Letras), de Aline Bei. – Vez em quando, Billie Holiday (Record), de Evandro Affonso Ferreira.

Eixo: Não Ficção

Artes – Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990 (Todavia), organizado por Tulio Custódio. Outros finalistas: – Expediente (Voar), de André Sanches. – Histórias da ecologia (MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), organizado por Adriano Pedrosa, André Mesquita e Isabella Rjeille. – O devorador: Zé Celso, vida e arte (Edições Sesc São Paulo), organizado por Claudio Leal. – Vaqueiro de gibão (Deu na Telha), de Pablo Pinheiro.

Biografia e Reportagem – Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio (Companhia das Letras), de Ruy Castro. Outros finalistas: – A audácia dos invertidos: as estratégias de sobrevivência e visibilidade LGBTI+ no Rio de Janeiro e sua importância no Brasil (1950-1990) (Record), de Rodrigo Faour. – Crentes: pequeno manual sobre um grande fenômeno (Record), de Guilherme Damasceno, Juliano Spyer e Raphael Khalil. – João Gilberto e a insurreição bossa nova: outros lados da história (L&PM), de Tárik de Souza. – Quem é essa mulher?: uma biografia de Zuzu Angel (Todavia), de Virginia Siqueira Starling.

Economia Criativa – A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial (Senac São Paulo), de Martha Gabriel. Outros finalistas: – Economia azul e cidades: uma introdução (BEĨ), organizado por Rinaldo Gama e Tomas Alvim. – Fazer cinema no Brasil: mercado, políticas públicas e ecossistema empreendedor cultural (Caravana Grupo Editorial), de Fernando Antonio Prado Gimenez. – Inovação com propósito: negócios com impacto social (Belas Artes), organizado por Caio Flavio Stettiner, Clayton Alves Cunha e Clayton Pedro Capellari. – Renda Básica Viável: para o Governo e o Congresso reduzirem a alta desigualdade de renda no Brasil (Obra Independente), de Walter Barretto Jr.

Educação – Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade (Schreiben), de Manuel Alves de Sousa Junior. Outros finalistas: – A esperança a gente planta (Planeta do Brasil), de Alexandre Coimbra. – Agora o meu chão são as nuvens: as famílias contemporâneas e os desafios na educação de crianças e adolescentes (Autêntica), de Hugo Monteiro Ferreira. – Atlas da Amazônia brasileira: um retrato abrangente e atual da Amazônia brasileira com mais de 300 mapas e ilustrações (Obra Independente), de Clovis Luciano Teixeira. – Inspiração Griot: por uma educação antirracista (Malê Edições), de Sinara Rúbia.

Negócios – Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança com propósito, comprometimento e proatividade (Record), de Mario Sergio Cortella. Outros finalistas: – De volta ao jogo: a história de sucesso, dramas e viradas do BTG Pactual (Portfolio-Penguin), de Ariane Abdallah. – Estado, economia, desafios fiscais e reformas estruturais no Brasil: textos em homenagem a Eduardo Guardia (História Real), organizado por Ana Carla Abrão, Ana Paula Vescovi e Pedro S. Malan. – Governança regenerativa: uma evolução do sistema de governança para enfrentar os desafios do mundo em transição (Bambual), de Gabriela Blanchet. – O manual da empresa antirracista: como transformar a sua empresa em uma potência que luta por todos (Planeta do Brasil), de Adriana Alves.

Saúde e Bem-Estar – A paixão pela mentira: a família e as tiranias (Todavia), de Paulo Schiller. Outros finalistas: – A revolução da longevidade: vivemos mais do que nunca. Mas estamos preparados para isso? (Vestígio), de Alexandre Kalache. – As dores da adolescência: como atender, acolher e cuidar (Summus Editorial), de Carolina Delboni. – O dilema das galinhas felizes: diálogos sobre a ciência da felicidade (Record), de Gustavo Arns e Leandro Karnal. – Por que a esquerda morreu?: e o que devemos fazer para ressuscitá-la (Civilização Brasileira), de Jessé Souza.

Eixo: Produção Editorial

Capa – Frans Krajcberg (MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), com capa de Alles Blau. Outros finalistas: – Anônimos: móvel moderno brasileiro além dos ícones (Olhares), com capa de Daniel Brito. – Mano a Mano (Companhia das Letras), com capa de Alceu Chiesorin Nunes. – O devorador: Zé Celso, vida e arte (Sesc São Paulo), com capa de Mateus Valadares. – Vaqueiro de gibão (Deu na Telha), com capa de Beatriz Matuck.

Ilustração – Guernica: a arte em busca da paz (Via Lúdica), ilustrado por Vinicius Sabbato. Outros finalistas: – Eletricista (Elo), ilustrado por Daniel Kondo. – Gran Circo (ÔZé), ilustrado por Nelson Cruz. – Pantaleão e Serapião (Passarinho), ilustrado por Alexandre Camanho. – Pinóquio (Figura), ilustrado por Gonzalo Ivar Cárcamo Luna.

Projeto Gráfico – Dobra (Cosac), projeto de Raul Loureiro. Outros finalistas: – Moscou feliz (Ubu), projeto de Elaine Ramos. – O capital (Ubu), projeto de Elaine Ramos. – O Inventor de livros: Aldo Manuzio, Veneza e seu tempo (Ateliê Editorial, Mnema), projeto de Casa Rex. – Wendy Andrade: eu consigo te ver feliz (Act.), projeto de Carlos Bocai, Julia B. Aguiar e Lucas D’Ascenção.

Tradução – O cavaleiro de bronze e outros contos e versos (Penguin-Companhia das Letras), traduzido por Rubens Figueiredo. Outros finalistas: – O cantar de Roldão: chanson de Roland (Ateliê Editorial, EDUFU — Editora da Universidade Federal de Uberlândia), traduzido por Ronald Costa. – O retorno do Barão de Wenckheim (Companhia das Letras), traduzido por Zsuzsanna Spiry. – Os irmãos Karamázov (Penguin-Companhia das Letras), traduzido por Cecília Rosas e Lucas Simone. – Plotino Enéadas (Nova Acrópole), traduzido por Juvino Alves Maia Junior.

Eixo: Inovação

Incentivo à Leitura — Projeto – Cartovivências nas periferias da cidade, de Ricardo Barbosa da Silva. Outros finalistas: – A cidade da gente, de Otavio. – A Feira do Livro 2025, da Associação Quatro Cinco Um. – Programa de rádio Universo Literário, de Fábia Pereira Lima. – Semana Literária Sesc e feira do livro, de Mayara Elisa de Lima Cirico.

Incentivo à Leitura – Cultura Digital – Bookster (@bookster) — Instagram, perfil de Pedro Pacífico. Outros finalistas: – Biblion (@biblion.app) — Instagram. – Camilla e Seus Livros (@camillaeseuslivros) — Instagram, de Camilla Dias. – Impressões de Maria (@impressoesdemaria) — Instagram. – Resenhando Sonhos (@resenhandosonhos) — YouTube.

Livro Brasileiro Publicado no Exterior – Os substitutos (Companhia das Letras, Métailié). Outros finalistas: – A terra dá, a terra quer (Ubu, Editions Wildproject). – Água turva (Companhia das Letras, Suhrkamp Verlag). – O som do rugido da onça (Companhia das Letras, Liveright/Norton). – Via Ápia (Companhia das Letras, Farrar, Straus & Giroux).

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