Paciente com cardiopatia grave não precisa de laudo para obter isenção do IR

Isenção do IR para cardiopatia grave não exige laudo médico oficial

Política

Uma pessoa diagnosticada com uma doença grave tem o direito de obter a isenção do Imposto de Renda sem a obrigatoriedade de apresentar um laudo médico oficial. O entendimento foi aplicado pela Justiça na garantia de direitos a uma ex-servidora pública aposentada.

A juíza Larissa Isabela Izidoro, atuando no Juizado Especial da Fazenda Pública de Toledo, no Paraná, determinou que o município restitua todos os valores descontados do IR de uma mulher que sofre de cardiopatia grave, retroagindo à data do diagnóstico da enfermidade.

O caso e os argumentos na Justiça A autora da ação é aposentada desde 2019 e recebeu o diagnóstico de doença coronária triarterial grave — um estágio avançado de cardiopatia — em novembro de 2023. Mesmo diante da condição clínica, a taxação continuou ocorrendo em seus proventos, o que motivou a abertura do processo judicial.

Na ação, a defesa sustentou que a exigência de um documento médico oficial não é obrigatória para a comprovação da moléstia, pleiteando o reconhecimento do benefício fiscal e a devolução do dinheiro retido indevidamente desde o final de 2023. O município de Toledo (PR) contestou o pedido ao alegar que os papéis apresentados eram inconclusivos, defendendo a necessidade de uma comprovação técnica para atestar o enquadramento legal da gravidade.

Comprovação e entendimento legal Ao analisar o processo, a magistrada pontuou que a cardiopatia grave está devidamente contemplada pelo artigo 6º, inciso XIV da Lei 7.713/1988 no que se refere à isenção tributária. Além disso, a Súmula 598 do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a apresentação de laudo médico oficial é desnecessária para comprovar a doença — desde que ela seja demonstrada por outras provas — e obter a isenção.

Para a julgadora, os documentos anexados aos autos comprovaram de forma sólida a condição de saúde da autora da ação.

“Não se trata, portanto, da mera demonstração de enfermidade cardíaca genérica. O exame revela comprometimento coronariano relevante e disseminado, com lesões obstrutivas de elevada magnitude em diferentes artérias, inclusive lesões de 99%, circunstâncias que, conjugadas com os demais documentos médicos, conferem suporte suficiente ao diagnóstico de cardiopatia grave apresentado pela autora”, afirmou a juíza.

O advogado Mateus Bonetti Rubini, responsável pela representação da autora, destacou o impacto do entendimento jurídico.

“A decisão reforça que o objetivo da isenção tributária por doença grave é mitigar o impacto financeiro do tratamento, e que a ausência de intercorrências em procedimentos pontuais não descaracteriza a cronicidade da moléstia”, afirmou.

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