Pulverização de atos pró-Lula causa divisão e temor de embate com bolsonaristas

Ato pró-Lula gera racha em São Paulo e temor de confronto

Política

A organização de atos de apoio a Lula (PT) previstos para o próximo domingo (18) gerou mudanças de local, divisões entre militantes e forte receio de confrontos com apoiadores de adversários políticos. Uma das principais manifestações convocadas inicialmente para o Vale do Anhangabaú foi transferida para o Largo da Batata e, posteriormente, cancelada, o que provocou revolta e uma articulação de última hora para manter o protesto.

Nas redes sociais, o PT paulista e entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes) passaram a convocar apoiadores para eventos descentralizados na periferia da capital paulista, abrangendo locais como o Grajaú, na zona sul, a Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, e Itaquera, na zona estenão. Um levantamento indica que também há eventos agendados para a Praça Marechal Deodoro, na região central, e para o Largo da Banana, na Barra Funda, zona oeste.

Estratégia de mobilização territorial

O presidente do PT paulista, deputado federal Kiko Celeguim, defendeu que a pulverização dos atos serve para otimizar a capacidade de engajamento da militância.

“A gente precisa é que esse militante envolva-se com atos no seu próprio território para convencer o eleitor a não se abster no dia do voto, para convencer, para fazer uma virada de voto, seja numa feira livre, numa missa, num culto, num ato na própria região”, afirmou ele.

Celeguim pontuou que o planejamento já estava alinhado desde o início do segundo turno e ressaltou a autonomia dos atos centrais: “Esse ato convocado para o Largo da Batata, na Faria Lima, não é ato de iniciativa do PT nem da campanha, é um ato espontâneo de alguns companheiros e companheiras. E não tem nenhum problema de nossa parte que isso aconteça”. E completou: “Muito pelo contrário, estamos todos no mesmo objetivo, que é eleger o presidente Lula.”

Segurança e riscos de choque na avenida

Por sua vez, o Movimento Revoluciona Brasil, responsável por divulgar o ato no Largo da Batata, justificou o recuo inicial citando “questões relacionadas à segurança dos participantes e a entraves burocráticos que iriam comprometer a organização e a realização adequada do ato”. O temor principal envolvia um possível encontro com manifestantes ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que marcou um ato na avenida Paulista para a mesma data. Como a Linha 4-Amarela do Metrô dá acesso tanto à Paulista quanto ao Largo da Batata, havia receio de esbarros entre os grupos rivais.

Apesar da apreensão, militantes engajados articularam a manutenção da atividade. A líder do movimento Fortes e ex-candidata a deputada estadual pelo PDT, Isadora Brizola, assumiu a frente da organização para tentar manter o controle da situação.

“Isso já estava reverberando em muitos lugares, não tinha como dar para trás”, diz Brizola. Ela destacou que o objetivo de assumir a frente foi organizar o ato de forma pacífica, informando que manteve contato direto com a Subprefeitura de Pinheiros e com a Polícia Militar para assegurar a regularidade da manifestação.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar preparou uma operação especial para o domingo, abrangendo tanto a manifestação da avenida Paulista quanto o ato no Largo da Batata. A pasta realizou encontros com o Metrô, CET, GCM, Subprefeituras, Ouvidorias e líderes dos grupos para definir regras de convivência, horários e estimativas de público.

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