Parar de utilizar canetas para emagrecer, baseadas em fórmulas como tirzepatida e semaglutida, traz um perigo concreto de sofrer o chamado “efeito sanfona”, que é a recuperação dos quilos perdidos no processo. Esse cenário costuma aparecer com mais força quando o paciente falha em modificar seu estilo de vida ou deixa de aplicar estratégias voltadas para a sustentação das conquistas em longo prazo.
“As canetas emagrecedoras precisam estar associadas a mudanças comportamentais reais, que envolvem reorganização da rotina, prática regular de atividade física e um plano alimentar equilibrado. Sem isso, os resultados tendem a não se sustentar”, destaca o Dr. José Afonso Sallet, especialista no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas.
O mecanismo por trás do reganho de peso
O retorno do peso excedente após a interrupção desses fármacos está fortemente ligado à volta do apetite, a desajustes metabólicos surgidos durante a fase de emagrecimento e aos próprios processos fisiológicos que defendem o estoque de gordura corporal.
“Durante o tratamento, os medicamentos contribuem para o controle da fome e para o aumento da saciedade. Quando são retirados, esses efeitos deixam de ocorrer e o organismo pode voltar a apresentar uma maior pressão biológica para recuperar o que foi eliminado”, resume a Dra. Sandra Fernandes, médica nutróloga da Kora Saúde.
“Por isso, o efeito sanfona não deve ser interpretado simplesmente como falta de disciplina do paciente”, alerta ela.
Continuar ou suspender a medicação?
Um estudo apontou que a interrupção do Mounjaro (tirzepatida, da Eli Lilly) pode vir acompanhada de reganho de peso e da perda de parte dos benefícios que o tratamento havia trazido para a saúde. Uma análise do ensaio clínico SURMOUNT-4, publicada no periódico JAMA Internal Medicine, mostrou que, um ano após a suspensão do medicamento, quanto maior o peso recuperado, maior a reversão das melhoras na circunferência abdominal, na pressão arterial, no colesterol não-HDL, na glicemia e na resistência à insulina.
Apesar dos dados, isso não significa que os remédios devam ser consumidos eternamente por todos. A definição sobre o tempo de uso passa por uma análise clínica minuciosa. Parar, diminuir a dose ou prosseguir com o tratamento são escolhas estritamente personalizadas.
“Obesidade é uma doença crônica e cada paciente responde de uma maneira ao tratamento. Para algumas pessoas, mesmo com alimentação adequada e atividade física regular, a medicação continuará sendo necessária para controlar a doença e manter o peso. Por isso, não existe uma regra de que todo paciente que emagrece deve necessariamente suspender o medicamento”, afirma Fernandes.
Dicas essenciais para estabilizar a balança
Para diminuir as chances de recuperar os quilos eliminados, a orientação inicial é planejar qualquer alteração na terapia junto ao médico, rechaçando a interrupção arbitrária. A dieta também exige atenção redobrada, focando em legumes, vegetais, fibras, frutas e proteínas, que promovem maior saciedade.
Manter a musculatura intacta é outra prioridade na etapa de estabilização. Aliar o consumo adequado de proteínas com a prática de atividades físicas, principalmente treinos de força, ajuda a preservar os ganhos obtidos. O monitoramento contínuo da composição corporal e do peso também ajuda a identificar sinais de alerta logo no início.
“Não é preciso esperar recuperar todo o peso perdido para buscar ajuda. A manutenção também faz parte do tratamento da obesidade e precisa ser acompanhada individualmente. Em alguns casos, mesmo com bons hábitos, o paciente pode precisar manter o tratamento medicamentoso para controlar a doença”, conclui a nutróloga.
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