A história dos videogames no Brasil guarda capítulos únicos, moldados por lançamentos tardios, restrições comerciais e muita criatividade. Em meio a esse cenário, marcas nacionais conquistaram o carinho do público e deixaram saudades. É o caso da Dynacom, empresa que alcançou relevância com apostas ousadas e se tornou sinônimo de nostalgia graças à linha Dynavision.
Fundada em São Paulo por volta de 1981 por Jerry Mayo e Gabriel Almog, a companhia começou fabricando eletrônicos simples antes de entrar no setor de games com cartuchos de Atari 2600. Com a política de reserva de mercado — que proibia a importação de eletrônicos —, surgiram os famosos clones, consoles criados por engenharia reversa que replicavam a arquitetura e rodavam os jogos de aparelhos internacionais.
Da febre do Atari aos clones de Nintendinho
O primeiro Dynavision chegou às lojas no início de 1984 como um clone do Atari 2600. O aparelho se destacou pela qualidade superior, CPU mais potente, design inovador e controles Dynastick na parte frontal. Em 1985, a marca tentou inovar com o MegaBoy, um controle portátil para cartuchos com foco educacional, e o computador MX-1600.
Em 1989, a empresa lançou o Dynavision II, um dos primeiros clones nacionais do NES. Logo depois, em 1991, veio o Dynavision 3, que trazia o controle Turbo Pad e aceitava cartuchos japoneses e americanos. Com o fim da reserva de mercado no mesmo ano, a Dynacom investiu em marketing na TV e lançou variações como o Dynavision 3 Radical, HandyVision, Mega Vision, Dynavision 4 e o Magic Computer PC 95.
A derrocada e o fim das atividades
A Dynacom voltou aos holofotes no fim dos anos 2000 em uma parceria com o SBT, aparecendo em programas como o Bom Dia & Cia. A empresa apostou em consoles baseados no NES com jogos na memória, incluindo o Dynavision PC Game, o Dynavision Xtreme e o Wi Vision, que imitava o visual do Nintendo Wii.
A partir de 2010, sem verba e espaço, a fabricante encerrou a produção própria e licenciou a marca para a Ceder Eletrônica, além de importar o portátil Dingoo e o Cybergame. Tentando diversificar com telefones e MP3 players, a marca não resistiu à concorrência. Em 2011, o contrato foi cancelado, houve queima de estoque e a Dynacom encerrou definitivamente suas operações no setor de eletrônicos.
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