Enquanto a maioria dos líderes do continente optou pela discrição ou sequer se manifestou, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, destacou-se ao celebrar abertamente o revés eleitoral sofrido por Donald Trump nos Estados Unidos.
“Isso aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha.”, escreveu o premiê espanhol na rede social X, adotando um discurso duro contra o republicano. “Ontem, a sociedade norte-americana votou contra as políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites.”
Enquanto isso, governos de outras nações europeias preferiram a prudência, conscientes de que o presidente americano ainda detém forte controle sobre a política externa.
Reações contidas pelo continente
Na França, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, celebrou o processo sem confrontos diretos. “Os resultados não são questionáveis nem estão sendo questionados. O próprio presidente dos EUA admitiu e reconheceu o excelente desempenho dos candidatos democratas. Trata-se, portanto, de uma notícia muito boa para a democracia americana”, declarou.
Já no Reino Unido, o primeiro-ministro Andy Burnham avaliou que o pleito americano deveria servir para unir os países no combate ao custo de vida, principal foco de sua gestão. Na Alemanha, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, limitou-se a observações genéricas sobre uma vitória histórica dos democratas e a necessidade de aguardar os próximos passos da Casa Blanca.
A cautela generalizada reflete a percepção de que Trump continuará influente nos próximos dois anos, especialmente em áreas vitais como a guerra comercial e o conflito na Ucrânia. No mesmo dia da votação, em 3 de novembro, o chanceler alemão Friedrich Merz recebeu Volodimir Zelenski pela quarta vez em 18 meses, reforçando o apoio a Kiev diante das ambiguidades de Washington.
Impacto na extrema direita
Além da geopolítica, o resultado nos Estados Unidos afeta diretamente o discurso dos movimentos de extrema direita na Europa, que historicamente se espelham no movimento Maga. Jordan Bardella, líder da Reunião Nacional, partido de Marine Le Pen, tentou minimizar os reflexos do pleito americano e os reveses da direita em locais como Brasil, Sérvia e Hungria para a eleição presidencial francesa de 2027.
Na Espanha, contudo, Sánchez tenta usar o momento político para enfraquecer seus opositores locais de direita e extrema direita nas eleições parlamentares marcadas para 29 de novembro, nas quais pesquisas apontam dificuldades para o atual premiê socialista. “A onda extremista na qual [Alberto Núñez] Feijóo e [Santiago] Abascal pretendem se aproveitar já não cresce mais, está desmoronando”, afirmou.
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