O Ministério da Saúde já alcançou a marca de 100 mil genomas individuais sequenciados por meio do projeto Genomas SUS, iniciativa integrada ao programa Genomas Brasil. O avanço foi destaque durante o 3º Simpósio Genomas SUS, realizado em Belém do Pará e encerrado no último sábado (31). Desde o início dos aportes em 2020, o governo federal já destinou R$ 1,37 bilhão para a área, sendo R$ 330 milhões aplicados somente no ano passado.
A destinação de verbas públicas para uma tecnologia tão avançada em um sistema de saúde repleto de desafios básicos — como as longas filas para consultas com especialistas, exames e cirurgias — justifica-se pela necessidade de equidade. Afinal, não é justo privar os brasileiros mais pobres de acesso a ferramentas de diagnóstico que já se espalham na saúde privada.
Benefícios práticos da genômica na saúde
Com a evolução das pesquisas e a queda nos custos do sequenciamento genético, a medicina de precisão passou a oferecer vantagens reais aos pacientes atendidos pelo sistema público.
Um exemplo é a farmacogenômica: conhecendo todas as variantes de genes de uma pessoa, é possível em alguns casos recomendar a mudança de doses ou do próprio remédio a ser usado no tratamento. Outro é a confirmação de diagnóstico de doenças raras, muitas delas com forte componente genético, ou até de prognóstico sobre a evolução de algumas enfermidades, como diabetes tipo 2.
A estratégia adotada prioriza pacientes do SUS cujos dados clínicos (fenótipos) são devidamente registrados, servindo de base para pesquisas que buscam associar variantes genéticas a diferentes enfermidades.
Diversidade genética e os próximos passos
Um dos grandes gargalos históricas da área era a escassez de sequências representativas da diversidade brasileira, cenário semelhante ao de outras regiões da América Latina, África e Ásia. Enquanto os maiores estudos genômicos do mundo focam em populações de ancestralidade europeia, o Brasil abriga uma forte miscigenação com raízes africanas e indígenas.
Para suprir essa lacuna, o Genomas SUS estabeleceu oito centros voltados para ancorar equipamentos e métodos padronizados de análise em todas as regiões do país. Embora a medicina de precisão ainda enfrente um longo caminho para revolucionar toda a assistência médica de ponta, o projeto demonstra que o Sistema Único de Saúde é um ponto de partida indispensável para essa transformação.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
