Temendo demissões provocadas pela IA, parlamentares dos EUA buscam formas de ajudar trabalhadores

Congressistas dos EUA buscam proteger trabalhadores contra a IA

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A rápida expansão da inteligência artificial gerou preocupações em Washington de que ferramentas tecnológicas avançadas possam substituir trabalhadores, deixando milhões de americanos sem fonte de renda. O temor de uma crise que sobrecarregue a capacidade do governo de amparar desempregados motivou parlamentares a debaterem formas de reforçar a rede de segurança econômica dos Estados Unidos.

Nos últimos meses, legisladores de ambos os partidos apresentaram propostas para mitigar eventuais perdas de postos de trabalho. A iniciativa mais recente, liderada pelo senador Ron Wyden, pretende ampliar significativamente o programa federal de seguro-desemprego, oferecendo até 26 semanas extras de assistência para requalificação profissional daqueles que perderem o emprego devido à tecnologia.

“Acho que seria uma irresponsabilidade não nos prepararmos, porque estamos em uma situação na qual muitos cidadãos sentem o temor crescente de perder o emprego para a IA”, afirmou. “E o Congresso tem a responsabilidade de ajudar o país a se preparar.”

Desafios e divergências políticas

Apesar da urgência apontada por alguns setores, o ritmo de Washington contrasta com a velocidade do Vale do Silício. Enquanto executivos projetam crescimentos expressivos na produção até 2030, especialistas apontam que a tecnologia já começa a gerar alguns pequenos impactos na dinâmica de contratações, embora efeitos macroeconômicos ainda não sejam evidentes.

Martha Gimbel, diretora-executiva do Yale Budget Lab, destacou a dificuldade histórica de mensurar essas mudanças em tempo real. “No auge da Revolução Industrial, as pessoas não estavam tentando adivinhar se os tecelões já haviam sido substituídos”, disse ela.

No Congresso, parlamentares tentam avançar com medidas para monitorar o impacto da tecnologia. Um projeto dos senadores Josh Hawley e Mark Warner exigiria que empresas reportassem dados detalhados sobre demissões ligadas à IA.

“Na verdade, acredito que, em um horizonte mais longo, de cinco anos ou mais, a IA provavelmente criará categorias inteiramente novas de empregos”, disse Warner. “O que isso significa nesse intervalo? E ainda não temos dados de qualidade.”

Propostas de tributação e resistência

Embora exista debate sobre o tema, muitas medidas continuam paradas. Analistas apontam que a ala conservadora tem adotado cautela para não prejudicar investimentos bilionários em inovação, enquanto assessores da administração rejeitam a hipótese de desemprego em massa.

Em contrapartida, outras iniciativas democratas buscam taxar lucros de gigantes da tecnologia e centros de dados para financiar novos fundos de capacitação e investimentos em infraestrutura. A proposta de Ron Wyden, batizada de Lei de Estabilidade e Oportunidade para os Trabalhadores, também pretende elevar o valor mínimo do seguro-desemprego e ampliar o grupo de beneficiados, embora ainda enfrente resistência das empresas do setor e exija debates adicionais sobre fontes de financiamento.

“Há muito trabalho a fazer”, concluiu Wyden.

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