A Toyota está a desenvolver uma nova família de motores de combustão e quer apostar no negócio de fornecimento de grupos motopropulsores a outras marcas.
Segundo a Automotive News, o objetivo é atingir cerca de 1500 milhões de euros de faturação anual com estas vendas até 2032. Para 2026, a fabricante japonesa aponta a encomendas no valor de 500 milhões de euros. Assim, o investimento nestas mecânicas poderá gerar receitas para lá das vendas dos seus próprios automóveis.
A aposta da Toyota nos híbridos já é antiga, mas agora a marca nipónica quer que esta tecnologia chegue a modelos de outras marcas… e fazer dinheiro com isso. De acordo com a mesma fonte, as primeiras entregas da nova geração de motores e sistemas híbridos poderão começar já em 2027.
Três motores de quatro cilindros
Anunciada em 2024, a nova família de motores Toyota inclui três propostas, todas com quatro cilindros em linha: um 1.5 l atmosférico, um 1.5 l turbo e um 2.0 l turbo.
A Toyota pretende que o novo motor 1.5 híbrido possa ocupar o lugar dos atuais motores híbridos que já conhecemos nas gamas Yaris e Corolla. Já o 2.0 l turbo promete superar a potência do atual motor 2.4 híbrido que encontramos, por exemplo no RAV4.
Além das vantagens já anunciadas de redução dos consumos em mais de 15%, estes motores também são mais compactos: redução de 10% no volume e na altura. As dimensões são uma parte importante do projeto. Motores mais baixos permitem reduzir a altura do capô e melhorar a aerodinâmica, dando também maior liberdade aos designers.
Recordamos que estas mecânicas, de acordo com a marca, foram desenvolvidas com a eletrificação em mente. A ideia é otimizar a integração entre o motor de combustão, os motores elétricos e os restantes componentes do sistema híbrido.
Os clientes dos motores Toyota
A Toyota ainda não anunciou clientes para esta nova geração. As relações que mantém com fabricantes como a Mazda, a Subaru e a Suzuki poderão, porém, facilitar futuros acordos de fornecimento.
Isso não significa que os parceiros estejam dispostos a abandonar os seus próprios projetos. A Mazda está a desenvolver o motor Skyactiv-Z e um sistema híbrido próprio para o CX-5, enquanto a Subaru continua a apostar nos motores boxer, mas não na Europa.
Aliás, o compromisso anunciado pelas três marcas em 2024 previa precisamente a evolução das respetivas tecnologias, preservando as características que distinguem os seus motores.
União japonesa para manter liderança
O potencial benefício para os compradores está na possibilidade de aceder a motores e sistemas híbridos sem suportar todo o investimento necessário para desenvolver uma nova geração de raiz. Além disso, reduz os investimentos numa altura em que a concorrência chinesa obriga a um reforço na competitividade industrial.
As economias de escala, perante a dimensão dos players chineses, estão na ordem do dia.
Do lado da Toyota, vender a sua tecnologia a outros fabricantes permitirá repartir os custos de desenvolvimento por um maior número de unidades. Quanto maior for o volume de produção, maior será a margem para amortizar o investimento e tornar o fornecimento competitivo.
Os motores de combustão não são caso único. A Toyota e a BMW celebraram uma joint-venture para partilhar custos de desenvolvimento da tecnologia fuel cell (pilha de combustível).
Em paralelo, a marca continua a ofensiva nos 100% elétricos a bateria. Segundo a marca, a próxima evolução da plataforma TNGA (Toyota New Global Arquitecture) permitirá incorporar tecnologia EV de forma mais eficiente.
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