Vale afirma que é improvável pagar dividendos extraordinários em 2026

Vale vê cenário difícil e afasta pagamento de dividendos extras em 2026

Mercados

A administração da Vale avalia como “improvável” a distribuição de dividendos extraordinários em 2026, período marcado por redução na produção, retração nos preços e custos operacionais elevados, impulsionados pelo encarecimento do petróleo após o conflito no Irã.

Marcelo Bacci, vice-presidente financeiro da mineradora, declarou nesta sexta-feira (30) que o panorama geopolítico permanece instável. Por essa razão, a companhia opta por resguardar seu caixa e conter o endividamento até que o cenário econômico se estabilize.

“Para este ano, não deve acontecer [dividendo extraordinário]. Não tanto pela performance do ano —a geração de caixa vem muito bem—, mas por todas as incertezas geopolíticas do ano que vem”, afirmou Bacci, em entrevista para comentar o balanço do terceiro trimestre.

Balanço financeiro e produção

No terceiro trimestre, a Vale registrou lucro de R$ 6,4 bilhões, o que representa um recuo de 56% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado de 2026, o lucro da companhia diminuiu um terço, atingindo R$ 23,2 bilhões, enquanto a extração de minério de ferro teve baixa de 1,2%.

Apesar do resultado financeiro mais fraco, Bacci destacou que a empresa enxerga espaço para realizar recompras de papéis ainda no decorrer deste ano. A diretoria tem autorização para adquirir até 100 milhões de ações em 2026 e avalia que a cotação atual está atrativa.

“Houve uma queda expressiva no preço das ações no setor todo, em função da queda do preço do minério e vamos buscar oportunidade para recomprar”, disse. “A gente acha que vai ter oportunidade nos próximos meses para recomprar.”

Para o executivo, a recompra funciona como um mecanismo alternativo de remuneração aos acionistas, elevando o valor dos ativos que continuam no mercado. Bacci também pontuou que, frente ao ambiente desfavorável de preços, o desempenho da mineradora foi satisfatório, repercutindo positivamente na bolsa nesta sexta-feira, quando os papéis operavam em alta de pouco mais de 3% por volta das 13h.

Desafios operacionais

Em contrapartida, especialistas do mercado financeiro manifestaram apreensão em relação à retração na extração do minério de ferro — principal produto do portfólio — e à elevação das despesas. Entre julho e setembro, o volume produzido diminuiu 6%, somando 88,3 milhões de toneladas, ao passo que o custo dos produtos vendidos avançou 13%.

A gestão da companhia reiterou o compromisso de cumprir o piso da meta de produção anual. De acordo com estimativas da corretora Ativa, alcançar esse patamar exigirá um volume médio de 92,7 milhões de toneladas nos últimos três meses do ano. As projeções oficiais para os próximos exercícios serão divulgadas durante um evento corporativo marcado para o início de dezembro.

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