Vamos enterrar de vez a tabela SUS, diz Padilha sobre modelo que vigora há quase 30 anos na Saúde

Governo planeja extinguir tabela SUS em novo mandato de Lula

Política

O Ministério da Saúde projeta o fim definitivo da tabela SUS em uma eventual nova gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Utilizada desde 2008 para remunerar clínicas e hospitais conveniados à rede pública, a sistemática de pagamento por procedimento individualizado já vem sendo gradualmente substituída pelo governo federal, segundo informou o ministro Alexandre Padilha.

De acordo com o titular da pasta, cerca de 1.500 exames e intervenções cirúrgicas deixaram de adotar a listagem tradicional como base financeira. As demandas agora são quitadas com base nas diretrizes do programa Agora Tem Especialistas, que aplica repasses de três a quatro vezes superiores e prevê reajustes calibrados conforme os custos de cada região do país.

Transição de modelo no financiamento hospitalar

O modelo em implementação vincula a remuneração ao ciclo completo de cuidado — combinando consulta, exame e tratamento — em vez de compensar apenas atos isolados. Além do repasse orçamentário direto, a estratégia abrange compensações tributárias e renegociação de dívidas com a rede privada. Apenas neste ano, essas parcerias somaram R$ 1 bilhão em contratos, viabilizando 1,2 milhão de procedimentos.

Padilha defende que a lógica fragmentada precisa ser abandonada por completo e critica quem propõe apenas a correção financeira da tabela antiga. O objetivo para os próximos anos é consolidar o modelo por desfecho clínico, respeitando as realidades socioeconômicas locais.

Transparência nas filas e mutirões

Outro compromisso assumido pelo ministro é a entrega, até o fim deste ano, do painel nacional de monitoramento das filas do Sistema Único de Saúde. A ferramenta passará a operar após a aprovação de legislação federal que obriga estados e municípios a compartilharem os registros locais de pacientes à espera de atendimento.

Para oferecer previsibilidade à população, o ministério desenvolve um aplicativo integrado que viabiliza agendamentos e acompanhamento da posição na fila pelo telefone móvel, projeto-piloto adotado em cerca de 47 hospitais universitários federais e nas unidades do Grupo Hospitalar Conceição.

No campo das cirurgias eletivas, a rede pública bateu recorde em 2025 ao atingir quase 15 milhões de procedimentos — avanço de 42% na comparação com 2022. Para o período atual, a estimativa oficial aponta para a marca de 16 milhões de cirurgias. A redução da demanda reprimida conta também com unidades móveis equipadas para tomografias, ultrassons e cirurgias oftalmológicas, que já passaram por 4.300 municípios. A frota, que soma 150 veículos neste ano, já ultrapassou 1 milhão de procedimentos.

Gargalos diagnósticos e atenção básica

Para combater a demora em laudos de alta complexidade, o governo aposta no telediagnóstico. Um centro de oncologia estruturado em cooperação com o A.C.Camargo recebe biópsias de todo o território nacional, encurtando o prazo de entrega de laudos patológicos de até sete meses para cerca de sete dias. A iniciativa é complementada pela aquisição de lotes expressivos de aceleradores lineares, aparelhos de ressonância magnética e tomógrafos.

Frente a apontamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o cumprimento de metas e a atenção primária, Padilha afirmou que o ministério reformulou os incentivos financeiros das Unidades Básicas de Saúde, atrelando repasses a indicadores de desempenho. Com a reformulação do Mais Médicos, metade dos profissionais das equipes de Saúde da Família conta com aporte direto da União. Foram adquiridos ainda 10 mil conjuntos de equipamentos clínicos e estruturadas equipes multidisciplinares domiciliares focadas na terceira idade.

Orçamento e cenário eleitoral

Em meio à disputa do segundo turno, Padilha criticou as propostas orçamentárias da chapa adversária encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que a preservação dos investimentos na rede pública depende da continuidade do atual governo. Na visão do ministro, “o plano de Flávio Bolsonaro prevê corte de R$ 250 bilhões, e não há como cortar isso sem atingir a Saúde, que é o maior Orçamento da União.”

Sobre o impacto crescente das emendas parlamentares, o ministro reconheceu distorções na destinação de verbas e sustentou que o Executivo busca vincular os repasses do Legislativo a prioridades assistenciais diretas, como cirurgias eletivas e exames diagnósticos.

Por fim, a pasta destacou a ampliação da verba de medicamentos especializados — que saltou de aproximadamente R$ 13 bilhões para mais de R$ 27 bilhões —, viabilizando mais de 160 novos fármacos. O governo projeta ainda realizar até o término do ano a primeira concorrência pública para compra de medicamentos em modelo de preço sob sigilo comercial internacional, medida que, aliada a diretrizes recentes do Judiciário, tem reduzido os gastos com judicialização na saúde.

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