O tesão da literatura

Eliane Robert Moraes lança coletânea sobre o erotismo

Cultura

Referência nos estudos sobre erotismo na literatura e autointitulada “pornógrafa”, Eliane Robert Moraes apresenta sua nova obra, Erótica teórica: escritos sobre as fronteiras do sexo. O título chega às livrarias pela editora Autêntica, contando com 384 páginas e preço de capa de R$ 97,80, em um momento em que a excitação pela vitória da democracia está no ar.

Unindo nomes que vão de Italo Calvino a Carlos Drummond de Andrade, passando por Susan Sontag e Amara Moira, a crítica literária reúne reflexões de diversas gerações sobre o erotismo por meio de ensaios, crônicas e diários. A autora já assinou A parte maldita brasileira: literatura, excesso, erotismo, lançado pela Tinta-da-China Brasil em 2023.

“‘Erotismo é criação. A literatura é um trabalho de criação altamente libidinoso e, portanto, erótico. Toda boa literatura é erótica’, diz Moraes em entrevista à Quatro Cinco Um, parafraseando Italo Calvino, um dos nomes que figuram no livro”, conforme destaca Giuliana Bergamo.

Outros destaques da semana A curadoria de novidades editoriais traz ainda outras obras de peso para os leitores:

Rosa Mistika — De Euphrase Kezilahabi (Tusquets, 160 pp, R$ 54,90, com tradução de Carolina Cândido e prefácio de Annmarie Drury). O clássico suaíli acompanha a jovem Rosa, que deixa sua vida numa aldeia por uma oportunidade de estudo e passa a compreender sua sexualidade como arma para a sobrevivência. O romance inovou ao abordar temas como violência doméstica, coerção sexual e aborto, e por isso, sofreu proibição na época de sua publicação original, em 1971. A obra marca a primeira tradução de um romance originalmente em suaíli no Brasil.

O clube do livro para mulheres impertinentes — De Marie Bostwick (nVersos, 420 pp, R$ 89, tradução de Miguel Conde). Nos anos 60, um grupo de mulheres cria um clube do livro cuja primeira leitura é A mística feminina, de Betty Friedan. Sob esse novo olhar para as expectativas da sociedade em relação à mulher, as amigas discutem casamento, maternidade, feminilidade, trabalho e traçam seu próprio caminho de autodescoberta. O livro traz passagens marcantes, como destaca o trecho: “Se Margaret aprendera alguma coisa nos últimos meses, era que a maioria das mulheres precisava desesperadamente de uma risada. Mas, se possível, ela também queria escrever colunas que as fizessem parar e pensar, ou mesmo mudar. Queria isso mais que tudo.”

A autobiografia de Alice B. Toklas — De Gertrude Stein (Penguin-Companhia, 304 pp, R$ 74,90, tradução de José Rubens Siqueira). A escritora e poeta (1874-1946) subverte as convenções deste gênero literário ao narrar as próprias memórias pelo ponto de vista da sua companheira. Ela resgata a vida das duas na ilustre residência na Rue de Fleurus, em Paris, onde a vanguarda artística e literária da época se reunia: dos modernistas Picasso e Matisse aos escritores expatriados Hemingway e Pound.

Enigma e comentário: ensaios sobre literatura e experiência — De Davi Arrigucci Jr. (Companhia das Letras, 208 pp, R$ 99,90). Coletânea de ensaios produzidos na década de 80, em que o crítico literário analisa autores como Jorge Luis Borges, Cortázar, Manuel Bandeira e Rubem Braga para refletir sobre a transposição literária da experiência da vida.

Feiura — De Moshtari Hilal (Dublinense, 224 pp, R$ 89,90, tradução de Gisele Eberspächer). A partir de características do próprio corpo unidas à reflexão política e cultural, a artista e curadora afegã radicada na Alemanha explora o conceito de beleza e os motivos de determinados padrões físicos serem vistos como indesejáveis e perigosos em determinados contextos históricos.

Arranha-mar — De Benjamin Wood (DBA, 208 pp, R$ 84,90, tradução de Carolina Kuhn Facchin). Um pescador de camarões que sonha em ser um músico folk conhece um cineasta de Hollywood que está à procura de uma locação para o seu próximo filme. Ao apresentar a cidade a ele, o jovem avalia a própria jornada e os sonhos que carrega dentro de si. Romance semifinalista do Booker Prize 2025.

Novidades adicionais A lista de lançamentos também conta com Belchior: Alucinação (Renato Terra e Rodrigo Salgado, Cobogó, 136 pp, R$ 72), que revisita o disco faixa a faixa; A filha favorita (Morgan Dick, HarperCollins, 352 pp, R$ 69,90); Virginia Woolf entre gêneros (Davi Pinho, Nós, 352 pp, R$ 99); Rest in Pieces (Karmarket, Veneta, 288 pp, R$ 84,90); e Estrela do novo rumo: literatura negra e os sentidos da modernidade periférica (Mário Augusto Medeiros da Silva, Zahar, 376 pp, R$ 119,90).

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