O “www” (sigla de World Wide Web) não desapareceu da internet, mas deixou de ser estritamente necessário. O prefixo costumava aparecer no começo dos endereços de páginas da web com uma função clara: organizar os serviços que acessávamos pelo navegador, a exemplo de portais de notícias, blogs, sites e vídeos. Em termos técnicos, o “www” servia para identificar o computador, comumente chamado de servidor, que respondia pelo site de uma determinada organização.
Nos primórdios da rede mundial de computadores, um mesmo domínio (como abril.com.br, por exemplo) podia utilizar servidores distintos em sua infraestrutura para cada tipo de serviço oferecido via internet. Para colocar ordem em cada um deles, criou-se o hábito de nomear cada servidor conforme a sua utilidade: o servidor de e-mail geralmente vinha acompanhado de “mail.” no início; o de transferência de arquivos exibia “ftp.”; e os servidores voltados para páginas web carregavam o “www.”.
A origem da convenção
De acordo com Daniel Macêdo Batista, professor do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) da USP, essa forma de organização nasceu logo nos primórdios da internet, no começo dos anos 90, criada pelos profissionais encarregados de configurar os servidores. “A ideia de ter nomes diferentes facilita tanto para quem acessa os serviços quanto para quem faz manutenção neles”, conta Batista.
Contudo, tratava-se apenas de uma convenção, e não de uma exigência técnica. Embora fosse uma ferramenta útil, em várias situações o prefixo nunca chegou a ser indispensável. Prova disso é o primeiro site da história, desenvolvido na Suíça, que atendia pelo endereço simplificado “info.cern.ch”. Como essa parcela do nome jamais foi mandatória, os portais sempre puderam ser abertos sem interferir no funcionamento das páginas. Com o passar dos anos, tornou-se comum que as próprias empresas passassem a divulgar suas marcas sem o “www”.
Mudanças tecnológicas e o impacto dos celulares
Dois motivos principais explicam essa transformação. O primeiro, segundo o professor da USP, é que serviços antes mantidos diretamente pelas próprias organizações — tais como e-mail, chat e transferência de arquivos — caíram em desuso ou foram absorvidos por plataformas especializadas, a exemplo do Gmail, WhatsApp e Google Drive.
O segundo fator foi a ascensão dos telefones celulares, que impulsionou a preferência por endereços eletrônicos mais enxutos. Afinal, digitar URLs longas em telas e teclados menores que o convencional tornou-se um incômodo para os usuários.
Apesar disso, em certas páginas o prefixo continua presente nos bastidores, mesmo que o internauta não precise digitá-lo. Isso ocorre porque diversas empresas divulgam suas marcas sem o “www”, mas programam o sistema para realizar um redirecionamento automático para a versão prefixada. Um exemplo é o wikipedia.org: ao digitar o endereço sem as três letras, o servidor faz o direcionamento instantâneo para www.wikipedia.org.
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