O pleito em território israelense encerrou-se nesta terça-feira (27) diante de um cenário de aparente impasse, conforme revelaram as pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão do país. Os levantamentos indicam que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem seu principal rival, Gadi Eisenkot, conseguiram assegurar votos suficientes para alcançar a maioria no Knesset, o parlamento local composto por 120 cadeiras.
Essa indefinição política pode acabar beneficiando Netanyahu, abrindo caminho para que o veterano premiê continue no cargo de forma interina enquanto as legendas partidárias negociam a montagem de uma coalizão governamental. Devido à fragmentação do sistema político israelense e ao fato de que nenhuma sigla jamais conquistou sozinha as 61 cadeiras necessárias, as coalizões são indispensáveis, e legendas menores acabam tendo um papel decisivo. Os resultados definitivos podem levar dias para serem divulgados.
Contexto de guerra e alta participação
A votação foi marcada por uma taxa de comparecimento recorde, com os eleitores indo às urnas em meio a um cenário de conflito, avaliando a gestão de Netanyahu na primeira eleição realizada após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e as subsequentes guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.
Apesar de as diretrizes da coalizão de direita liderada por Netanyahu provocarem divisões internas e ampliarem o isolamento internacional do país, ele buscou se posicionar perante o eleitorado como o estadista com firmeza para confrontar os adversários de Israel.
Aos 77 anos, Netanyahu já esteve à frente do governo por quase 19 das últimas três décadas, superando sucessivas turbulências políticas. Ele disputou a eleição lidando com acusações de corrupção antigas — as quais nega veementemente — e com cobranças a respeito das falhas de segurança e inteligência que possibilitaram a militantes do Hamas assassinarem 1.200 pessoas e fazerem 251 reféns.
O principal adversário
Do outro lado, Gadi Eisenkot, de 66 anos, consolidou-se como o principal opositor de Netanyahu. Antigo chefe militar de linha-dura, ele sofreu perdas pessoais severas no conflito de Gaza, onde faleceram um filho e dois sobrinhos, e utilizou sua experiência em segurança para se projetar como uma alternativa de centro no âmbito interno.
Eisenkot ingressou na vida pública há apenas quatro anos e chegou a fazer parte do gabinete de crise de Netanyahu logo após a ofensiva do Hamas, mas acabou se desligando do posto oito meses mais tarde, tecendo duras críticas à condução do primeiro-ministro.
Caso nenhum dos dois consiga viabilizar uma maioria no parlamento, Israel caminha para um cenário de longas tratativas voltadas à criação de uma coalizão ou, alternativamente, à convocação de um novo pleito.
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