A discussão em torno da saída de Macklemore da turnê norte-americana de Ed Sheeran e a presença da política na música ganhou novos desdobramentos, com o U2 compartilhando sua visão sobre o caso em uma entrevista recente à Rolling Stone do Reino Unido.
Mesmo com uma carreira marcada pela forte ligação entre esses dois universos, o vocalista Bono, o guitarrista The Edge e o baterista Larry Mullen Jr. demonstraram que existem divergências internas na banda sobre o assunto. Eles relembraram, por exemplo, a parceria recente com Sheeran na música “Yours Eternally”, que aborda a invasão russa da Ucrânia.
Bono revelou que a relutância de Sheeran em adotar temas políticos já havia ficado evidente durante o processo de gravação. De acordo com o cantor, Ed questionou se o U2 estava tentando envolvê-lo em questões políticas e, após ouvir a história do soldado que motivou a letra, argumentou que preferia manter sua arte distante disso.
Apesar da lembrança, Bono evitou julgamentos e disse que ele não deveria ser “vilanizado” por sua decisão, ainda que The Edge tenha deixado claro que a banda “apoia completamente o direito de Macklemore como artista de dizer o que ele quiser dizer”.
Bono concordou, dizendo que, por sua trajetória, o U2 se reconhece mais na postura de Macklemore. A conclusão, porém, foi conciliadora:
“É preciso convencer as pessoas pela razão. Você não pode tentar forçar as pessoas a uma posição.”
Larry Mullen Jr. complementou:
Artistas podem escolher se querem ser politicamente ativos ou não. É um direito humano. Mas como banda nós iremos lutar pelo seu direito de falar o que pensa desde que não incite a violência. E mesmo que a gente discorde ou não goste disso, ninguém tem direito – nenhum bilionário, nenhum produtor, nenhum dono tem direito de censurar qualquer pessoa. Eles nunca irão nos censurar.”
A origem do conflito
A controvérsia começou em 4 de setembro, período em que Macklemore realizava os shows de abertura para Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jersey, durante a Loop Tour.
Durante a apresentação, o rapper pronunciou a frase “Palestina Livre” e interpretou “Hind’s Hall”, seu tema de protesto relacionado à guerra em Gaza. 10 dias depois, ele foi excluído da turnê e disse que ouviu de Sheeran que Robert Kraft, bilionário dono do Gillette Stadium, havia vetado sua presença no local onde a dupla se apresentaria.
Posteriormente, os demais artistas de abertura da agenda – Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe – além do grupo irlandês Beoga, que integrava a banda de apoio de Ed, abandonaram a turnê em apoio a Macklemore. Como consequência, Sheeran passou a sofrer críticas após afirmar que suas apresentações não configuravam um espaço para debates políticos.
Impactos nas passagens por solo brasileiro
Tanto Ed Sheeran quanto o U2 possuem apresentações agendadas no Brasil em breve. Ed Sheeran se apresenta primeiro com a Loop Tour no Nubank Parque nos dias 5 e 6 de dezembro, e o caso já gerou alterações na programação nacional: Finneas, que faria a abertura das duas noites, foi um dos nomes que se retiraram da turnê em solidariedade a Macklemore, sendo substituído por Isaac Slade, ex-vocalista do The Fray, anunciado na última terça-feira (3).
Por sua vez, o U2 desembarca no país em março de 2027 com a turnê Carnaval de Luz Presents: The Greatest Show On Earth, marcando o retorno do grupo após uma década de ausência. A alta demanda por bilhetes levou a banda a estender a temporada no MorumBIS de duas para quatro apresentações, agendadas para os dias 10, 12, 14 e 16 de março, tendo Beck como responsável pela abertura.
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