A sabatina concedida pelo presidente Lula (PT) à TV Globo na última quinta-feira (15) deixou uma sensação de oportunidade desperdiçada entre membros de sua própria base. De acordo com avaliações de diversos petistas ouvidos reservadamente pelo Painel após a transmissão, o chefe do Executivo acabou se comportando como presidente da República em vez de adotar o perfil de candidato à reeleição.
Segundo os aliados, a expectativa nos bastidores era de que Lula endurecesse o tom contra o principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os correligionários defendiam que o petista mencionasse abertamente episódios como a relação do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Outra falha apontada pela equipe foi a ausência de um foco maior na articulação para o fim da jornada de seis dias de trabalho com um de descanso. O grupo avaliou que o presidente deixou de encaixar o maior número possível de declarações sobre o tema, justamente um dia após o projeto ser aprovado pelo Senado e se consolidar como uma das bandeiras mais populares da gestão atual.
A estratégia traçada previamente para a sabatina orientava o titular do Planalto a buscar aberturas para abordar esses três tópicos específicos, além de solicitar votos de maneira mais enfática aos eleitores.
Apesar da frustração com os pontos que julgam ter sido negligenciados ao longo da conversa, os aliados ponderam que o desempenho não gerou nenhum tropeço grave capaz de comprometer os rumos da campanha eleitoral.
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