Uma funcionária de supermercado pagou do próprio bolso as compras de uma mãe que não tinha recursos para garantir a comida da filha pequena, em um caso que chamou atenção pela solidariedade. O valor total da conta chegou a cerca de 150 dólares canadenses, o equivalente a aproximadamente R$ 600. Tomada pela emoção diante da atitude generosa, a cliente não conteve as lágrimas no caixa do estabelecimento. Um detalhe torna a história ainda mais tocante: a trabalhadora que ofereceu ajuda também passou fome durante a infância.
O episódio inspirador aconteceu em uma unidade da rede Longo’s, situada em East Gwillimbury, na província de Ontário, no Canadá. A mãe, Gina Coleman, estava abrigada junto com a filha pequena em um espaço voltado para mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade. Embora contasse com cartões de vale-compras para adquirir alimentos, ela foi surpreendida ao chegar ao caixa e descobrir que a referida rede não aceitava aquela modalidade de pagamento.
Diante da falta de dinheiro para quitar os produtos, o desespero tomou conta de Gina. Foi nesse momento crítico que a atendente Ada Everingham, moradora de Newmarket, resolveu intervir. Utilizando o próprio cartão de débito, ela liquidou toda a compra para garantir que a mãe e a criança não precisassem voltar de mãos vazias.
“Foi um milagre”
Em entrevista ao jornal AuroraToday, Gina relatou o forte sentimento de vergonha que sentiu ao perceber a impossibilidade de usar os cartões. “Fiquei constrangida. Não tenho dinheiro para pagar. Pensei: ‘O que eu faço agora?’”, relembrou.
A solução veio por meio da generosidade da atendente, provocando lágrimas imediatas na cliente. Classificando a atitude como “um milagre”, Gina destacou que o auxílio superou em muito o valor financeiro dos itens.
De acordo com a mãe, quem enfrenta privações econômicas frequentemente duvida do próprio valor e teme o julgamento alheio. “As pessoas ouvem falar de tantas coisas horríveis que acontecem, mas também existem coisas maravilhosas por aí”, afirmou.
Empatia gerada pela própria história
A motivação por trás da atitude de Ada carrega uma carga emocional profunda. Na infância, ela e a mãe também passaram por privações severas de comida, precisando recorrer a cartões de vale-compras para sobreviver. Familiarizada com a dureza daquela realidade, Ada agiu de imediato ao notar o embaraço da cliente.
“Eu simplesmente pensei que teria gostado se alguém tivesse feito isso por mim também”, declarou a funcionária, acrescentando: “Fazer uma boa ação não é o fim do mundo, e ver a reação dela me fez chorar”.
Após o ocorrido, Gina fez questão de contatar o serviço de atendimento ao cliente da rede de supermercados para relatar a ação de Ada e expressar sua gratidão. A atendente também se emocionou ao constatar a profundidade do impacto que seu ato gerou na vida daquela família.
Nova moradia para mãe e filha
A sequência de boas notícias não parou no supermercado. Gina e a filha, anteriormente acolhidas por uma instituição da organização Yellow Brick House, conquistaram uma nova residência.
Ambas foram selecionadas por um programa de habitação transitória e iniciaram os preparativos para a mudança rumo a uma casa localizada na cidade de Belleville, também em Ontário, agendada para o dia 16 de novembro.
Superada a fase mais crítica, a criança finalmente terá um espaço próprio para dormir. “Minha filha e eu sempre tínhamos que dormir juntas, e agora ela tem a própria cama”, comemorou Gina. O programa habitacional em questão fornece suporte para indivíduos e núcleos familiares que buscam reestruturar suas trajetórias após passarem por episódios de vulnerabilidade.
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