China, passado e futuro

Viagem de trem-bala revela o contraste entre o passado e o futuro na China

Educação

A jornada começa a bordo do trem-bala das 10h15 que parte de Shijiazhuang, capital da província de Hebei. Noventa minutos mais tarde, a composição chega à estação de Xinxiang, em Henan. Ainda na plataforma, é possível testemunhar a velocidade impressionante da tecnologia local: outro trem-bala cruza os trilhos vizinhos a mais de 300 km/h, desaparecendo no horizonte antes mesmo que haja tempo para sacar o celular e registrar a cena, em uma experiência intensa e rotineira na China atual.

Habitada por mais de 100 milhões de pessoas e cortada ao norte pelo rio Amarelo, a província de Henan é amplamente reconhecida como o berço da civilização chinesa. Vestígios arqueológicos no local indicam ocupação humana desde 7000 a.C., além de indícios de que o primeiro estado chinês organizado tenha surgido ali entre 1900 a.C. e 1500 a.C. No sítio de Anyang, datado do período entre 1600 a.C. e 1000 a.C., foram descobertas as formas mais antigas e estruturadas da escrita do país. Ainda assim, historiadores apontam que a civilização possui múltiplos berços.

O contraste entre as eras se faz presente logo na chegada à Universidade Normal de Henan, onde uma estátua colossal de mais de oito metros de altura exibe Mao Zedong com o braço direito erguido em direção ao horizonte. A China abriga mais de 50 instituições de ensino “normais”, antigas escolas de formação de professores que expandiram suas grades curriculares. A Universidade Normal de Hebei, por exemplo, fundada há 124 anos, busca hoje integrar a elite nacional de pesquisa em setores estratégicos como matemática e inteligência artificial.

Palestras e tecnologia na rotina acadêmica

Durante a tarde, a programação inclui uma palestra na Escola de Matemática, recepcionada com uma mensagem cordial de boas-vindas exibida na entrada do prédio. O tema central do debate aborda a matemática e a sociedade, discutindo o valor social do conhecimento, seu impacto no desenvolvimento nacional e a responsabilidade das instituições acadêmicas na formação de profissionais aptos a solucionar problemas reais.

Embora o auditório esteja lotado, o início da apresentação apresenta um cenário curioso: diversos estudantes parecem vidrados em seus smartphones em vez de acompanharem os slides. O mistério logo se esclarece ao perceber que, inseguros quanto à compreensão do idioma inglês, os alunos utilizam os celulares para acompanhar a tradução simultânea da fala para o chinês.

Ao término da exposição, o momento de perguntas e respostas é marcado por forte engajamento, com grande foco em inteligência artificial. Um detalhe chama atenção: ao contrário do cenário comum no Brasil, onde as estudantes costumam evitar o protagonismo, na cultura chinesa são os rapazes que demonstram maior timidez, enquanto a maioria das dúvidas é levantada por mulheres.

Para encerrar a imersão cultural, o roteiro inclui uma visita ao histórico Templo Shaolin no sábado. Fundado no ano 495, o renomado centro budista de artes marciais inspirou produções televisivas de grande sucesso global ao longo das décadas.

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