Dezenas de e-commerces de marcas brasileiras de moda enfrentaram um grave incidente de segurança cibernética que resultou na exposição de dados financeiros de consumidores durante o fechamento de compras. Um grupo de fraudadores virtuais, monitorado desde 2024, conseguiu inserir um script malicioso conhecido como “skimmer” na Convertr, plataforma que administra o checkout dos comércios atingidos.
A falha foi descoberta e tornada pública pela organização de segurança digital Sansec. Conforme o boletim técnico divulgado pela empresa, o código malicioso entrou em funcionamento no dia 24 de outubro e operou por três dias, conseguindo extrair dados como numeração de cartões de crédito, prazos de validade, códigos de segurança e CPFs dos compradores. As informações furtadas foram repassadas a um servidor externo sob o controle dos criminosos.
O ponto de entrada para a invasão foi uma fragilidade em uma ferramenta de medição de audiência chamada Plausible, empregada pela Convertr em uma versão desatualizada de seu servidor. Pesquisadores da Sansec apontam que a brecha, registrada sob a identificação “CVE-2026-8467”, permitia que invasores executassem códigos diretamente no servidor sem exigir autenticação.
Os especialistas em cibersegurança detalharam que o código nocivo foi anexado diretamente ao script de análise carregado por todas as páginas de pagamento. “O invasor modificou um arquivo no servidor de análise da Convertr, e o checkout de cada lojista da plataforma carregou esse arquivo”, detalhou a equipe da Sansec na análise técnica publicada nesta segunda-feira (26).
Após a repercussão do caso e a divulgação do alerta, a Convertr eliminou o código malicioso do sistema e atualizou o instrumento de análise para uma versão corrigida. Em nota oficial repercutida pela imprensa especializada, a empresa declarou que avisou os lojistas impactados, as operadoras de meios de pagamento e as autoridades competentes acerca do ocorrido.
Como funcionava o furto de dados financeiros
O código inserido pelos hackers funcionava de maneira discreta e restrita às páginas de conclusão de compra dos sites conectados à plataforma. O programa monitorava os campos preenchidos pelos usuários e recolhia as informações bancárias logo no momento em que a transação era finalizada. Desse modo, o conteúdo obtido era enviado para um domínio externo registrado na Islândia.
A apuração revelou que os responsáveis pelo esquema atualizaram o código ao longo dos dias para otimizar o roubo. Na fase inicial, o sistema buscava por campos tradicionais de pagamento. Em seguida, os invasores adaptaram o software para coletar os dados específicos requeridos pelo sistema de pagamento da Convertr.
Especialistas em segurança alertam que os efeitos desse tipo de ocorrência continuam mesmo após a remoção do código. Visto que os navegadores guardam arquivos em cache por um intervalo que pode atingir 24 horas, os consumidores permanecem expostos. “Os navegadores armazenam o script infectado em cache por até 24 horas, de modo que os compradores continuam em risco por esse período após a limpeza”, ressaltou a equipe.
Orientações para consumidores e lojistas
Frente à exposição de dados confidenciais, recomendações de segurança foram divulgadas para quem efetuou compras em comércios virtuais de moda do Brasil nos últimos dias. O principal aviso é voltado aos clientes que usaram cartões de crédito em páginas com endereço de checkout ligado à Convertr.
Como medida preventiva, a Sansec recomenda que os consumidores que fizeram compras em comércios impactados entrem em contato imediato com o banco emissor do cartão para requerer o bloqueio e a troca do plástico. Além disso, é importante acompanhar possíveis usos impróprios do CPF em cadastros e concessões de crédito.
Para os comerciantes que utilizam a infraestrutura da plataforma, a orientação consiste em exigir da empresa a confirmação de que os arquivos de monitoramento estão limpos, além de notificar os parceiros de processamento de pagamentos para diminuir os riscos de fraudes contínuas.
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