Em postagem, médico do Einstein diz não atender 'petistas vagabundos'

Médico gera polêmica ao afirmar em rede social que não atende petistas

Saúde

O médico cardiologista Clederson Henry Dina, ligado ao Einstein Hospital Israelita e à clínica de David Uip — atual diretor nacional de infectologia da Rede D’Or —, publicou uma série de ataques contra apoiadores do presidente Lula (PT) nas redes sociais.

“Não atendo petistas vagabundos”, escreveu o cardiologista Clederson Henry Dina em uma sequência de stories postados no Instagram. Na mesma postagem, ele diz ter “recursos” para as rejeições. O conteúdo foi deletado antes da exclusão automática após 24h, sendo publicado sem detalhar como ocorreria a seleção de pacientes com base na preferência política.

Conflito com o Código de Ética

A conduta de selecionar pacientes com base em ideologias contraria o Código de Ética Médica. A Resolução 2.217/2018 do CFM (Conselho Federal de Medicina) destaca que a medicina é uma “profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade” e, por isso, deve ser “exercida sem discriminação de nenhuma natureza”.

A biografia do perfil de Clederson Dina no Instagram mencionava a clínica de David Uip e o Einstein, mas os dados foram apagados posteriormente. A assessoria da clínica de Uip esclareceu que Dina apenas aluga uma sala de atendimento no mesmo prédio do consultório, não possuindo nenhum vínculo empregatício.

Posicionamento das instituições

Procurado pela reportagem, Henry Dina não retornou o contato, mas o espaço segue aberto para manifestação. O Einstein repudiou veementemente as postagens por meio de nota oficial.

“O Einstein conta com cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados, que atuam no hospital. Declarações individuais desses profissionais não representam o posicionamento institucional da organização. O Einstein repudia de forma veemente qualquer manifestação ou ação discriminatórias e não tolera condutas que atentem contra o respeito e os direitos de qualquer pessoa. Esses princípios são inegociáveis para a organização e fazem parte das regras gerais de atividade médica do Einstein. O caso mencionado está sendo tratado de acordo com o código de ética, princípios e diretrizes institucionais”, declarou o hospital.

A Associação Paulista de Medicina (APM) também se manifestou, pontuando que os profissionais da área devem pautar suas comunicações públicas com ética e respeito. “A entidade ressalta que divergências políticas são legítimas, mas não devem dar espaço a ataques pessoais ou discursos de intolerância”, diz o texto da nota.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) foram procurados pela reportagem para comentar o caso, mas não enviaram respostas.

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