Falha permite acesso root a servidores Linux ao digitar senha longa

Falha em servidores Linux permite acesso root com senha longa

Tecnologia

Uma grave falha de segurança identificada no software OpenSSH e na biblioteca musl C possibilita que criminosos virtuais entrem em contas de servidores Linux que deveriam ter o acesso por senha bloqueado. Conhecida pelo apelido de “*sshole”, a vulnerabilidade atinge distribuições como Alpine Linux, OpenWrt, Buildroot e Yocto quando operam sob condições específicas.

A descoberta ocorreu por meio de testes automatizados conduzidos pelo pesquisador de segurança Ozgun Kultekin, que divulgou os dados em um relatório técnico lançado nesta quinta-feira (5). A brecha existe desde o ano de 2016 e está ligada ao modo como o OpenSSH gerencia erros de validação de senha em ambientes que empregam o musl C.

Em servidores Linux, o login por senha pode ser desativado quando o administrador substitui o hash da senha por um asterisco (*) no arquivo de configuração. Como esse caractere não corresponde a um código válido, nenhuma combinação digitada deveria liberar a entrada. Contudo, uma alteração aplicada no OpenSSH em 2016 para corrigir um problema de enumeração de contas modificou essa dinâmica. O programa passou a processar a função de hash mesmo sem um código válido, com o intuito de igualar o tempo de resposta do servidor e dificultar a descoberta de usuários legítimos.

Entenda a causa do problema

O erro acontece porque a função da musl C devolve o caractere asterisco logo que o processamento falha, situação que ocorre quando a senha enviada passa do limite de 256 bytes. Desse modo, o OpenSSH confronta o resultado obtido com a operação guardada no sistema, valida a entrada e libera o acesso.

Para que a exploração aconteça, o servidor precisa cumprir determinados requisitos: – O OpenSSH precisa rodar em um sistema baseado em musl; – A autenticação por Módulos de Autenticação Conectáveis (PAM, na sigla em inglês), um sistema usado no Linux para provar quem são ao fazer login, deve estar desativada; – A autenticação por senha precisa estar ativa; – O sistema deve conter contas configuradas com asterisco no lugar do resto.

Ozgun Kultekin relatou que utilizou agentes de inteligência artificial (IA) para mapear o comportamento do software: “Estava brincando com o OpenSSH, principalmente nas partes chatas onde ele fala com a libc, como código de senha. Construí o SSHD de todas as maneiras que pude pensar e joguei cerca de 17.600 loginS estranhos nele“, afirmou o especialista.

Riscos e sistemas afetados

Imagens oficiais de nuvem do Alpine Linux para Amazon Web Services e Microsoft Azure contam com uma conta padrão chamada “Alpine”, que dispõe de privilégios para executar comandos como administrador sem o uso de senha. Essa característica potencializa o perigo, já que a exploração da falha pode conceder controle total da máquina.

Por outro lado, ambientes que utilizam a biblioteca glibc — a exemplo de Debian, Ubuntu e Fedora —, além daqueles que empregam o módulo PAM para autenticação, ficam imunes a essa vulnerabilidade, conforme ressaltou o pesquisador.

Diante do cenário, o projeto Alpine Linux e os desenvolvedores do OpenSSH lançaram uma atualização de segurança corretiva, já disponível na versão 10.6p2 do OpenSSH. Kultekin recomenda que os administradores atualizem os pacotes utilizando o gerenciador do sistema ou desliguem completamente o login por senha no arquivo de configuração caso não consigam aplicar o patch de imediato.

Reforçando a recomendação, o comunicado oficial da equipe do Alpine Linux destacou a necessidade de priorizar a atualização dos pacotes afetados: “Administradoras de sistemas devem atualizar os pacotes OpenSSH utilizando o gerenciador de pacotes do sistema para mitigar os riscos associados à vulnerabilidade”.

Em nota, a equipe do OpenSSH também alertou sobre a gravidade do problema: “Um atacante que possa acessar sua porta SSH pode fazer login sem conhecer nenhum senha. É preciso uma conexão, funciona todas as vezes e não precisa de tentativas. Se você ainda não puder atualizar, pelo menos desative os logins de senha”.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *