Flávio Bolsonaro e Lula citam informações falsas, exageradas e fora de contexto no debate da Globo

Checagem aponta falas falsas de Lula e Flávio Bolsonaro na Globo

Política

O debate realizado pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por uma série de afirmações imprecisas, exageradas e fora de contexto, conforme apontaram as verificações conduzidas pela Agência Lupa.

Das 35 frases analisadas durante o confronto, 20 continham dados falsos, distorcidos ou inadequados. Apenas 11 declarações foram consideradas verdadeiras após a averuação. “O debate foi marcado por um grande volume de informações inadequadas”, diz Cristina Tardáguila, fundadora da Lupa. Temas como economia, saúde e jogos online estiveram entre os tópicos discutidos sem respaldo factual. A agência seguiu avaliando as falas no sábado (24), véspera do segundo turno da eleição presidencial.

Economia, apostas e saúde no centro das checagens

Durante o programa, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula é “o pai do Tigrinho”, enquanto o petista rebateu acusando a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de liberar as apostas virtuais no país. Na realidade, a legislação que autorizou a atividade foi aprovada em 2018, no governo de Michel Temer (MDB).

Flávio também declarou que a gravação que mostra seu pai imitando pessoas com falta de ar na pandemia foi tirada de contexto, mas a checagem classificou a fala como falsa. O senador ainda atribuiu a inflação atual à redução das barras de chocolate de 120 para 80 gramas, embora empresas já comercializassem embalagens de 80 gramas em 2022, na gestão de Jair Bolsonaro.

Lula também cometeu erros ao abordar indicadores econômicos, alegando que o país não crescia acima de 3% desde o encerramento de seu segundo mandato, em 2010. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 3,9% em 2011 e 3% em 2013, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Além disso, o presidente afirmou ter erradicado a fome no Brasil em 2012. Contudo, a Organização das Nações Unidas retirou o país do Mapa da Fome apenas em 2014, sem apontar a eliminação total do problema.

Cristina Tardáguila pontua que o monitoramento dos discursos não busca criar rankings de mentiras ou verdades entre os concorrentes. “Isso é improdutivo. O que importa agora não é o troféu do mais verdadeiro ou mais falso. O importante é que o cidadão saiba a verdade sobre o fato abordado no debate”, diz.

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