Google e McKinsey fecham acordo para comprar crédito de remoção de carbono na amazônia

Google e McKinsey fecham acordo por créditos de carbono na amazônia

Mercados

Gigantes corporativas se uniram para investir na mitigação das mudanças climáticas no Brasil. O Google e a McKinsey firmaram contratos para adquirir 320 mil toneladas métricas de créditos de remoção de carbono ao longo de dez anos, integrando uma iniciativa pioneira do tipo silvipastoril por meio da Symbiosis Coalition.

Anunciados nesta segunda-feira (19), os acordos de compra de longo prazo darão suporte a um projeto da empresa de tecnologia climática Working Trees. O objetivo é transformar pastagens degradadas em áreas com diversas espécies nas regiões do sudeste da amazônia e do cerrado, viabilizando a recuperação de 8.700 hectares — etapa inicial de um plano maior de 50 mil hectares.

O método silvipastoril combina árvores e pastagens, permitindo a manutenção da atividade pecuária enquanto intensifica o sequestro de carbono e diminui a pressão que impulsiona o desmatamento.

“Entre as diversas abordagens para sequestrar carbono por meio de sistemas naturais, o sistema silvipastoril é um dos caminhos com maior potencial de expansão. E o financiamento de carbono tem um papel a desempenhar no custeio dessa solução”, afirmou Julia Strong, diretora-executiva da Symbiosis Coalition.

Expansão e modelo sustentável

A Symbiosis Coalition conta com empresas como Google, Microsoft, Meta e Salesforce, focando em contratos de longo prazo para compensação de carbono com metas superiores a 20 milhões de toneladas até 2030. No modelo da Working Trees, fileiras de árvores nativas e espécies voltadas à produção de madeira são plantadas diretamente nas pastagens atuais, preservando o espaço para o gado.

Segundo a empresa, a estratégia eleva a produtividade da pecuária e cria fontes futuras de receita com a madeira, estimulando os proprietários rurais a manterem os sistemas mesmo após o encerramento da renda gerada pelos créditos de carbono.

“Este projeto e o potencial de expansão para milhões de hectares nesta parte do Brasil representam uma oportunidade realmente empolgante de mostrar como é uma iniciativa bem-feita”, comentou Strong, acrescentando que a Working Trees já havia demonstrado o modelo por meio de um projeto-piloto.

Para Leif Gonzales-Kramer, presidente-executivo da Working Trees, os compromissos de compra a longo prazo são indispensáveis para destravar aportes financeiros em empreendimentos dessa natureza.

“Se você acredita que o mundo continuará consumindo carne bovina e que levará a sério as ações climáticas, a única maneira de alcançar ambos os objetivos ao mesmo tempo é por meio de sistemas silvipastoris”, disse.

Mercado em alta e desafios

O nascente mercado de carbono brasileiro tem despertado forte atenção de investidores em busca de iniciativas de alta qualidade para o cumprimento de metas ambientais. As companhias de tecnologia, em especial, correm para neutralizar as emissões geradas pelo crescimento acelerado da infraestrutura de inteligência artificial, que demanda intensa energia.

Apesar do avanço, críticos argumentam que os mecanismos de compensação podem dar margem para que poluidores negligenciem a redução direta de suas emissões.

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