Governo Lula vai renovar por mais 30 dias subsídio ao diesel

Governo prorroga por trinta dias subsídio ao diesel

Mercados

A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu prorrogar por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel comercializado no Brasil, cujo prazo havia expirado nesta segunda-feira (26). A extensão do benefício, estabelecido inicialmente para amortecer os impactos da guerra no Irã, será formalmente divulgada nesta terça (27).

Essa medida é tomada em um cenário de forte pressão sobre as cotações do petróleo, impulsionadas por confrontos entre rebeldes houthis e tropas da Arábia Saudita, fatores que acentuam a instabilidade geopolítica no Oriente Médio. Na última segunda-feira, o barril do tipo Brent era cotado perto de US$ 110, o equivalente a aproximadamente R$ 600.

O fim gradual das subvenções representará uma prova de fogo para o mandatário reconduzido ao cargo neste domingo (26), visto que o mercado projeta patamares elevados para os combustíveis, sobretudo o diesel, ao longo de todo o ano de 2027. No momento, o poder público assegura R$ 2,12 por litro no combustível de produção nacional, além de uma quantia extra de R$ 1,40 por litro no diesel trazido do exterior.

Panorama dos custos e impactos

Atualmente, essa ajuda financeira abrange apenas uma fração reduzida do custo para importar o combustível, de acordo com cálculos da Stone X — no início das operações de sexta-feira (23), tal despesa alcançava R$ 6,76 por litro. O montante também é insuficiente para suprir a defasagem nas tabelas da Petrobras, que atingiu R$ 3,53 por litro.

Embora a prorrogação traga um alívio momentâneo, o auxílio adicional de R$ 1,40 por litro tem vencimento programado para 6 de novembro e também corre o risco de ser estendido. A administração federal implementa esses apoios financeiros desde o mês de abril, acumulando despesas que ultrapassavam a marca de R$ 32 bilhões até o encerramento de agosto.

Concebidos originalmente com caráter provisório, os incentivos encontram barreiras para sua extinção devido ao impasse diplomático no Oriente Médio e à intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Projeções para o mercado global

Especialistas do banco Goldman Sachs avaliam que as cotações internacionais do diesel continuarão elevadas ao longo de 2027, mesmo se houver normalização no escoamento de petróleo, em decorrência de avarias em complexos de refino e da redução nos estoques em escala mundial.

“Os estoques [de derivados] seguem baixos nos principais polos, o que deixa pouca margem para absorver novas interrupções no fornecimento”, escreveram os analistas do banco em relatório divulgado no domingo (25).

Adicionalmente, a disponibilidade do produto nos primeiros meses de 2027 sofrerá interferências decorrentes de paradas para manutenção em refinarias — adiadas ao longo deste ano —, com destaque para a Índia e a Coreia do Sul, países que se destacam como grandes exportadores do insumo. O documento aponta que a escalada de preços não é passageira, o que diminui as probabilidades de que os subsídios sejam descontinuados em curto prazo.

Eliminar tais apoios governamentais, conforme alertam analistas do setor, provocará reajustes nos valores cobrados nas bombas e gerará pressões inflacionárias. Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), desde o eclodir do conflito e mesmo com a vigência dos subsídios, o diesel S-10 registrou alta de 20% nos postos de combustíveis do país.

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