Listão de literatura negra 2026

Listão de literatura negra destaca lançamentos e clássicos para 2026

Cultura

O cenário editorial se movimenta com o listão de literatura negra, que traz uma seleção diversificada de lançamentos e novas edições nas áreas de literatura brasileira, estrangeira, infantojuvenil, poesia, quadrinhos e teatro. Entre os destaques estão títulos que abordam desde questões sociais contemporâneas até resgates históricos importantes.

Na literatura brasileira, a editora Carambaia apresenta uma edição especial de Dom Casmurro, de Machado de Assis (360 pp., R$ 89,90), com ilustrações de Carlos Issa e posfácio de Hélio de Seixas Guimarães. O volume inclui um caderno de fotografias do Rio de Janeiro com intervenções gráficas e ensaio do autor de Os leitores de Machado de Assis (Edusp, 2012). A mesma editora também publica Memórias póstumas de Brás Cubas, com prefácio de Milton Hatoum e ilustrações de Heloisa Etelvina. Pela Todavia, Lilia Guerra lança Velha guarda (248 pp., R$ 84,90), romance em que a escritora paulistana explora a gentrificação e o racismo ambiental ao narrar a mudança dos moradores de um cortiço no centro para um conjunto habitacional na periferia. A autora também publicou pela Todavia a coletânea de contos Perifobia (2025) e o romance O céu para os bastardos (2023), finalista do prêmio São Paulo de Literatura.

Obras estrangeiras e traduções

O segmento internacional traz Ninguém sabe o meu nome, de James Baldwin (Companhia das Letras, trad. Jorio Dauster, 232 pp., R$ 89,90), coletânea de ensaios escritos entre 1954 e 1963 que aborda a vida dos afro-americanos nas décadas de 50 e 60, crítica literária e homossexualidade, sendo considerada uma sequência de Notas de um filho nativo. Pela Kapulana, Frutos estranhos pendurados na mulemba, do autor angolano Boaventura Cardoso (posf. Carmen Lucia Tindó Secco, 424 pp., R$ 119,90), centra-se na trajetória do patriarca Pedro Mandinga, sua família e seus antepassados, contada por diferentes vozes que resgatam a história de Angola.

A Companhia das Letras traz ainda Todo dia é do ladrão, do nigeriano-americano Teju Cole (trad. Paulo Henriques Britto, 160 pp., R$ 89,90), autor de Cidade aberta (2011), que mescla relato de viagem, fotografias e romance autobiográfico para registrar sua volta à Nigéria após viver quinze anos nos Estados Unidos. Da mesma editora, Promessa, de Rachel Eliza Griffiths (trad. floresta, 360 pp., R$ 99,90), é o primeiro romance da poeta e artista visual norte-americana, ambientado no Maine dos anos 50, acompanhando a perda da inocência das irmãs Cinthy e Ezra Kindred diante da violência em uma vila marcada pela segregação racial, quando a única outra família negra da região questiona um homem influente.

A editora Ars et Vita publica A dança dos pais, do autor camaronês radicado na Suíça Max Lobe (trad. Prisca Agustoni, 144 pp., R$ 72), sobre um bailarino que mescla a memória da relação controversa com o pai à de figuras que enfrentaram a violência colonial em Camarões. Pela Record, Ada, da escritora britânico-ganense radicada na Alemanha Sharon Dodua Otoo (trad. Jess Oliveira, 322 pp., R$ 89,90), entrelaça a história de quatro mulheres de diferentes continentes e períodos históricos, unidas pelo nome Ada e por uma pulseira com 33 contas.

A Companhia das Letras reedita Sobre a beleza, da escritora inglesa Zadie Smith (trad. Daniel Galera, 448 pp., R$ 99,90), romance apontado como um dos melhores do século 21 pelo New York Times, ambientado na costa leste dos EUA, que acompanha a rivalidade entre duas famílias, seus embates acadêmicos e o contraste entre identidades culturais e raciais. Pela Pinard chega Antoine de Gommiers: o lendário adivinho do Haiti, de Lyonel Trouillot (trad. Diogo Cardoso, pref. Dyhorrani Beira, 192 pp., R$ 84,90), obra em que o autor haitiano trata das contradições do Caribe a partir de dois irmãos num bairro pobre de Porto Príncipe.

Infantojuvenil, poesia e quadrinhos

Para o público infantojuvenil, a Companhia das Letras apresenta Neguinha, sim!: em Maceió e Neguinha, sim!: em São Luís, de Renato Gama, com ilustrações de Bárbara Quintino (32 pp. cada, R$ 14,90 cada), em que a protagonista descobre paisagens e tradições ligadas à cultura afro-brasileira. No campo da poesia, a Penguin-Companhia lança Papagaio de açúcar, de Domingos Caldas Barbosa (org. Bruna Kalil Othero e Filipe Dias Vieira, 408 pp., R$ 79,90), reunindo versos, alguns inéditos, do multiartista e padre considerado pioneiro da literatura afro-brasileira. A 7Letras publica A arte de matar, de Salgado Maranhão (apres. Alexis Levitin, 76 pp., R$ 55), em que o poeta maranhense vencedor do Jabuti reflete sobre a pulsão do ser humano pela violência, que persiste mesmo diante do progresso.

O universo dos quadrinhos ganha espaço com Torto arado: romance gráfico em quadrinhos – vol. 1 (Todavia, 328 pp., R$ 179,90), adaptação do festejado romance de Itamar Vieira Junior com texto do premiado roteirista e quadrinista Rafael Calça e traços de Bennê Oliveira, criadora da série Levemente insana. Pela Quadrinhos na Cia, Punhos negros: uma história da resistência negra, de Ben Passmore (trad. Nina Rizzi, 224 pp., R$ 129,90), vencedor do Eisner, percorre a história da militância e resistência negra nos Estados Unidos do início do século 20 até os dias de hoje.

Teatro

Encerrando as novidades, a Pallas lança a Coleção Ubirajara Fidalgo: volume 1 – Fala pra eles, Elisabeth e Buscando o infinito, de Ubirajara Fidalgo (128 pp., R$ 53), que resgata a obra do dramaturgo maranhense (1949-86), fundador do Teatro Profissional do Negro nos anos 70, com volumes 2 e 3 da coleção também previstos pela editora.

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