María Corina se encontra com membros de seu partido após retorno à Venezuela

María Corina Machado se reúne com seu partido após voltar à Venezuela

Mundo

A principal líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, realizou um encontro com integrantes da sua legenda, o Vente Venezuela, na cidade de Caracas, nesta terça-feira (27), apenas dois dias depois de ter retornado ao território nacional.

Sua volta ao país ocorreu no domingo (25), encerrando um período de quase umze meses no exterior. Durante o trajeto entre Barquisimeto e Caracas, simpatizantes rodearam a comitiva da política, balançando bandeiras, gritando seu nome e cobrindo-a de terços.

Neste momento, María Corina precisa lidar com uma estratégia bastante delicada. Embora deseje as eleições cobradas por sua base de apoio, ela precisa tomar cuidado para não entrar em rota de colisão com as negociações intermediadas pelos Estados Unidos, que envolvem o governo de Delcy Rodríguez e outras frentes opositoras. O Vente Venezuela optou por ficar fora dessas tratativas, mas também não adota uma postura de rejeição.

O governo dos Estados Unidos declarou publicamente que María Corina tem total legitimidade para estar na Venezuela, mas também fez elogios a Delcy e reforçou o apoio às conversas em andamento. Esses entendimentos, que continuaram avançando no decorrer deste mês, preveem a reformulação tanto do conselho eleitoral quanto da Suprema Corte do país antes de um pleito futuro — vale lembrar que tais instituições são formadas por partidários do regime que respaldaram Nicolás Maduro na tumultuada disputa de 2024.

Durante uma coletiva na segunda-feira (26), ao ser questionada sobre a chance de María Corina integrar o processo de diálogo, Delcy afirmou esperar que as conversas façam com que aqueles que solicitaram sanções contra a nação sintam arrependimento, repetindo uma crítica frequente do governo contra a opositora. Delcy também pontuou que o diálogo abre espaço para que todos os pontos de vista sejam escutados.

Por sua vez, o Comitê Norueguês do Nobel, que condecorou María Corina no ano de 2025, emitiu um comunicado nesta terça-feira para declarar que recebeu com entusiasmo a volta dela à pátria. O comitê manifestou a expectativa de que a presença da líder sirva para consolidar a oposição democrática e sua luta pacífica pela liberdade.

María Corina havia sido impedida de disputar o pleito contra Maduro — que atualmente se encontra detido nos Estados Unidos — no ano de 2024, tendo que deixar o território venezuelano em meio a uma forte onda de perseguição política. Pouco tempo depois, a ativista entregou a sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump, como forma de homenagear o que qualificou como a dedicação dele à causa da liberdade do povo da Venezuela.

Ainda na terça-feira, em meio a um evento político realizado no Texas, o presidente americano reiterou a ideia de transformar a Venezuela no 51º estado norte-americano, repetindo o gesto de maio passado, quando divulgou um mapa da nação sul-americana estampado com o pavilhão dos Estados Unidos.

“Estão surgindo empregos na Venezuela que ninguém imaginaria serem possíveis apenas um ano atrás. Estamos extraindo muito petróleo para nós mesmos, muito. O país se tornará próspero e, quem sabe, talvez em breve se torne um próspero 51º estado. É possível, vamos fazer isso. Vamos torná-lo o 51º estado. E, em vez de um presidente, teremos uma eleição para governador. Que tal?”, disse ele no comício.

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