Quem vai comandar a economia de Lula em 2027? O que o mercado espera

Quem vai comandar a economia de Lula em 2027? Veja os nomes cotados

Economia

A formação da equipe econômica do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será uma das principais decisões do presidente depois da reeleição. A escolha dos ministros e a definição das medidas fiscais para 2027 devem influenciar as expectativas sobre juros, dívida pública e crescimento econômico.

O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganhou força nos bastidores para assumir o comando da equipe econômica, mas o presidente também avalia a permanência de Dario Durigan e a possibilidade de entregar a pasta ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A definição deve ocorrer nas próximas semanas e será acompanhada de perto pelo mercado financeiro. O novo titular da Fazenda terá de conduzir as negociações do Orçamento de 2027, apresentar medidas para conter o crescimento das despesas e administrar os compromissos assumidos por Lula durante a campanha.

A proposta orçamentária enviada pelo Executivo prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. O resultado dependerá do comportamento das receitas, das despesas e das medidas aprovadas pelo Congresso.

Os cotados para a Fazenda

Fonteles é atualmente o nome mais cotado para o cargo. Lula teria sinalizado a interlocutores que gostaria de contar com o governador na equipe econômica, embora ainda não tenha feito um convite oficial. O petista ganhou projeção durante a campanha presidencial e participou das articulações que ajudaram Lula a reverter a desvantagem no segundo turno.

Fonteles tem experiência na área fiscal. Antes de assumir o governo estadual, foi secretário da Fazenda do Piauí e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Também participou das discussões sobre a reforma tributária. A eventual nomeação, porém, exigiria que o governador deixasse o cargo para o qual acaba de ser reeleito. Fonteles afirmou publicamente que ainda não discutiu a possibilidade com Lula.

A permanência de Dario Durigan é outra possibilidade considerada pelo governo. Atual ministro da Fazenda, ele assumiu o cargo depois que Fernando Haddad deixou a pasta para disputar o governo de São Paulo. Durigan foi secretário-executivo da Fazenda durante a maior parte do terceiro mandato de Lula e participou da elaboração e execução de medidas econômicas, incluindo programas de renegociação de dívidas. Sua continuidade representaria a manutenção de parte da equipe responsável pela condução da política fiscal.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também aparece entre os cotados. Durante o terceiro mandato, acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e ganhou espaço nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Outros nomes mencionados nas especulações são Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento e Orçamento, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Também foram citados o senador Camilo Santana (PT-CE) e o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB-AL). Nenhum deles recebeu indicação formal para a Fazenda.

A expectativa é que o presidente avance nas escolhas ministeriais depois de retornar de uma viagem internacional, prevista para terminar em 16 de novembro.

As decisões que podem afetar o ajuste

Entre as alternativas discutidas pela equipe econômica estão a revisão de gastos obrigatórios, a redução de benefícios tributários e mudanças nas regras de crescimento dos pisos constitucionais de saúde e educação. Esses pisos estão vinculados à arrecadação e podem crescer em ritmo diferente daquele permitido para o conjunto das despesas pelo arcabouço fiscal. Uma alteração exigiria aprovação de emenda à Constituição.

Para o mercado, a viabilidade política das propostas será tão relevante quanto seu impacto estimado nas contas públicas. O governo precisará negociar com um Congresso mais à direita, no qual o PT terá apenas nove senadores.

O que observar nos próximos meses

A composição da equipe econômica poderá indicar o grau de continuidade das políticas adotadas no terceiro mandato. Também será importante acompanhar a estratégia do governo para negociar mudanças fiscais antes da posse dos novos parlamentares, em fevereiro de 2027.

Outro indicador será a reação dos juros futuros e do câmbio às decisões do Executivo. Esses preços refletem diferentes fatores, incluindo expectativas de inflação, política monetária e percepção de risco fiscal. A primeira etapa do novo governo será definir quais medidas podem ser executadas administrativamente e quais dependerão de aprovação legislativa. A distinção ajudará a dimensionar a capacidade de Lula de implementar seu programa econômico em 2027.

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