Tarcísio reorganiza secretariado de olho na sucessão na capital e em 2030

Tarcísio reorganiza secretariado de olho em 2030 e na capital

Política

A equipe que Tarcísio de Freitas (Republicanos) está montando para seu segundo mandato mira criar condições para que ele chegue a 2030 capaz de disputar a Presidência e de fazer um sucessor no governo paulista, além de garantir que seu grupo político fique à frente da prefeitura da capital paulista, segundo alguns de seus principais aliados e auxiliares.

Para alcançar esses objetivos, o governador planeja reformular o núcleo da gestão do estado, abrir espaço para correligionários que o apoiaram na disputa eleitoral e intensificar o suporte a Ricardo Nunes (MDB) na cidade de São Paulo.

Tarcísio conquistou a reeleição logo no primeiro turno, alcançando quase 63% dos votos válidos. Apesar disso, o chefe do Executivo estadual enfrentou atritos que agora pretende sanar nas duas pastas mais estratégicas da administração: a Casa Civil, encarregada de coordenar a execução das políticas públicas, e a Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, sobretudo junto aos deputados estaduais.

Mudanças no primeiro escalão Durante o mandato inicial, o governador havia escalado Gilberto Kassab, presidente do PSD, para a Secretaria de Governo, e Arthur Lima, seu amigo de infância, para a chefia da Casa Civil. Com o passar do tempo, o modelo gerou desgaste e insatisfação no Palácio dos Bandeirantes.

Enquanto conduzia uma forte expansão de filiações no PSD, Kassab era acusado por Tarcísio, em conversas reservadas, de utilizar a máquina pública para impulsionar seu próprio prestígio político. Paralelamente, deputados estaduais destilavam insatisfações com a condução de Lima. Ambos deixaram os postos antes do período eleitoral. Kassab afirmou que a saída seria para se dedicar às eleições.

Os dois postos nevrálgicos passam agora para o comando de auxiliares que contam com total prestígio do governador. A articulação política na Secretaria de Governo ficará a cargo de Roberto Carneiro, presidente do Republicanos em São Paulo e elogiado por sua capacidade de diálogo com os parlamentares. Já a gestão administrativa será entregue a Natália Resende, atual titular de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, que migrará para a Casa Civil.

Carneiro havia integrado a gestão em janeiro daquele ano devido aos protestos de parlamentares nos bastidores sobre a lentidão de Lima na liberação de emendas. Em março, ele substituiu Kassab na Secretaria de Governo, cargo que deixou temporariamente para atuar na campanha de Tarcísio. Por sua vez, Natália, apelidada pelo governador de “supersecretária”, coordenou o plano de governo apresentado durante a corrida eleitoral.

Embora o governador e secretários como Laís Vita (Comunicação) tenham negado veementemente qualquer projeto político eleitoral para Natália, aliados do grupo no PL, no Republicanos e no MDB a colocam no radar como uma das alternativas para o governo em 2030.

O xadrez da sucessão na capital Outro nome cotado por Tarcísio para a sucessão é o prefeito Nunes, que precisará deixar a prefeitura daqui a dois anos e atua como seu principal parceiro político. Na avaliação de aliados, para viabilizar sua projeção futura, Nunes precisa encerrar o mandato com alta popularidade e eleger seu sucessor municipal em 2028.

A reportagem procurou o governo para comentar o assunto, mas não teve resposta. Desde o segundo turno das eleições, após gravar um vídeo em que ressalta que a eleição presidencial acabou, Tarcísio tem sido alvo de ataques nas redes sociais por grupos bolsonaristas, iniciados após críticas feitas a ele por Eduardo Bolsonaro.

Interlocutores próximos ao governador asseguram que Nunes terá espaço garantido na administração estadual após o fim de seu mandato, embora a função específica ainda não tenha sido detalhada. Além disso, o governador planeja adotar medidas para fortalecer o aliado.

Entre as estratégias estão a ampliação de espaço para o MDB — que deve assumir pastas antes controladas pelo PSD de Kassab, a exemplo da Saúde — e a manutenção do delegado da Polícia Civil Osvaldo Nico Gonçalves na Segurança Pública. O PSD, que antes comandava cinco secretarias, perde espaço devido ao distanciamento político durante a campanha.

Conhecido pelas aparições em programas policiais vespertinos, “Doutor Nico” chegou a ser cotado por aliados para compor a chapa de Nunes como vice em 2024, mas acabou preterido após indicação de Jair Bolsonaro (PL) para o coronel Mello Araújo (PL). Mantido na pasta para o novo ciclo, Nico permanece viável, na perspectiva de aliados, para ocupar a vice-numa chapa apoiada por Nunes e avalizada por Tarcísio.

A próxima semana marcará a primeira agenda conjunta da nova fase governamental entre Tarcísio e Nunes, com uma cerimônia para o início das obras do veículo leve elétrico (VLE) na região central. A iniciativa, combinada ao novo centro administrativo do estado, integra um plano para revitalizar o centro velho da capital — vitrine que servirá de mote para a campanha de Nunes na tentativa de emplacar um sucessor.

Conforme a Folha publicou, há ainda mudanças que devem ocorrer em pastas menores, como Turismo e Viagens, Esportes e Políticas para a Mulher.

Por fim, os arranjos avaliados pelo núcleo governista não contemplam, neste momento, segundo relatos obtidos, a hipótese de Tarcísio apoiar seu atual vice, Felicio Ramuth, para o governo em 2030. Ramuth, originalmente filiado ao partido de Kassab, migrou para o MDB de Nunes e permaneceu alinhado a Tarcísio quando sua antiga legenda rompeu. Caso Tarcísio dispute a Presidência, ele precisará renunciar ao cargo até abril de 2030, alçando Felício ao posto de governador.

Nomes fortes do primeiro governo de Tarcísio

Gilberto Kassab: Ex-secretário de Governo e Relações Institucionais. Presidente do PSD com fama de ser um articulador político habilidoso, se desgastou em meio a críticas de que priorizou a expansão de seu partido no estado.

Arthur Lima: Ex-secretário da Casa Civil. Amigo de infância de Tarcísio, militar reformado e ex-presidente da estatal federal EPL (Empresa de Planejamento e Logística), ficou encarregado de supervisionar a máquina estatal. Alvo de críticas de deputados diante de atrasos na execução de contratos, foi transferido para a Secretaria da Justiça.

Nomes fortes do segundo governo Tarcísio

Roberto Carneiro: Secretário de Governo e Relações Institucionais. Advogado, foi secretário de governo do Espírito Santo. É presidente do Republicanos em São Paulo. Ao chegar no governo paulista, ocupou a Casa Civil.

Natália Resende: Possível secretária da Casa Civil. Engenheira civil e advogada, é secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e apontada como auxiliar de confiança de Tarcísio.

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