Testei a Audi A5 Avant híbrida e não tive saudades do Diesel

Teste da Audi A5 Avant híbrida: o fim dos motores a diesel?

Automóveis

Até recentemente, poucas combinações faziam tanto sentido como uma carrinha Audi e um bom motor TDI. Depois de alguns dias ao volante desta A5 Avant e-hybrid, já não tenho tantas certezas.

Houve uma altura em que a receita para fazer muitos quilómetros para quem procurava uma carrinha alemã, sem grandes preocupações, era relativamente simples: motor Diesel, caixa automática, e qualidade e refinamento em alta. A Audi A4 Avant foi, durante muito tempo, uma das melhores representantes dessa escola. E confesso que sempre fui um apreciador da forma como os TDI conjugavam prestações, consumos e uma autonomia que parecia não ter fim.

Mas os tempos mudaram. As carrinhas perderam terreno para os SUV e os motores Diesel perderam protagonismo para a eletrificação, que trouxe outras possibilidades. Até a A4 mudou de nome, passando a chamar-se A5 Avant. Nesta versão e-Hybrid, a Audi optou pela discrição, apostando em pequenos logótipos que passam despercebidos à maioria.

O Diesel continua disponível na gama, mas agora há uma alternativa que promete fazer grande parte dos percursos diários sem gastar uma gota de combustível, sem abdicar da autonomia necessária para viajar e com 299 cv à disposição. Chama-se A5 Avant e-hybrid quattro e junta um motor 2.0 TFSI a um sistema híbrido plug-in. No papel, parece uma receita convincente. Mas será suficiente para fazer esquecer um bom TDI? E, sobretudo, continuará a ter aquela capacidade de devorar quilómetros que sempre caracterizou as melhores carrinhas da Audi? Foi isso que fui descobrir.

Familiar, mas com uma veia desportiva

As carrinhas da Audi nunca quiseram ser as maiores do segmento, nem sequer as que oferecem melhores argumentos familiares. Mas sempre conseguiram conjugar uma boa dose de versatilidade com um visual mais desportivo. Nesta A5 Avant, considero que a marca de Ingolstadt conseguiu ir ainda mais longe. As proporções são muito equilibradas, a frente é agressiva sem cair no exagero e a traseira, com «ombros» largos, traz à memória propostas como a RS 5. Digam-me um SUV que consiga o mesmo efeito sem parecer que está sobre andas.

Tudo isto contribui para fazer da A5 Avant uma carrinha que parece rápida mesmo quando está parada, afastando-a do visual mais utilitário de outras propostas do género.

Moderna sem ser genérica

A eletrificação não foi a única responsável pela transformação dos automóveis nos últimos anos. A digitalização também fez das suas e trouxe consigo uma verdadeira invasão de ecrãs. A Audi não fugiu à regra. A A5 Avant e-Hybrid pode ter até três. Um para o painel de instrumentos; outro central para o infoentretenimento; e um terceiro, opcional, para o passageiro, cuja utilidade considero questionável.

Ainda assim, apesar desta quantidade de ecrãs, o habitáculo da A5 Avant está longe de ser genérico. A Audi mostra como ainda é possível integrar tecnologia e estilo sem perder a identidade da marca. Os materiais são, na generalidade, bons e a montagem transmite aquela perceção de solidez que esperamos de uma Audi deste segmento. Não há ruídos parasitas nem aquela sensação de que algumas peças foram simplesmente encaixadas umas nas outras.

Infelizmente, a ergonomia já não convence como noutras gerações. Há demasiadas funções concentradas nos ecrãs e alguns comandos exigem habituação. Nem tudo melhorou com esta modernização.

O preço da eletrificação mede-se em litros

Se no interior a modernização trouxe ganhos e perdas, na bagageira as consequências da eletrificação são bastante mais evidentes. Apesar de ser uma carrinha, a Audi A5 Avant está longe de ser uma referência em habitabilidade. O espaço permite que quatro adultos viajem confortavelmente, mas o túnel central é demasiado intrusivo para quem ocupar o lugar do meio no banco traseiro.

Também a bagageira fica aquém do esperado numa proposta de carácter familiar. Se os 476 litros das versões não eletrificadas estão longe de impressionar, os 361 litros desta e-Hybrid deixam-na com uma bagageira inferior à de alguns B-SUV. Não vale a pena recorrer a eufemismos: para uma carrinha com 4,83 m de comprimento, é pouco. A responsabilidade é da bateria do sistema híbrido plug-in, instalada por baixo do piso da bagageira. E aqui é onde mais perde para a opção Diesel.

Afinal, não tive saudades do TDI

Chegamos ao ponto que mais curiosidade me despertava nesta Audi. Será que um híbrido plug-in consegue substituir aquela sensação de facilidade e disponibilidade que sempre apreciei nos motores TDI? Numa palavra: sim. A primeira coisa que impressiona na A5 Avant e-hybrid é precisamente essa facilidade com que tudo acontece, mas agora sem o ruído ou as vibrações mecânicas do passado.

O casamento do 2.0 TFSI com o sistema híbrido plug-in foi feliz e consegue conjugar bem performance com eficiência. Em modo elétrico, os 143 cv são mais do que suficientes para o quotidiano. A resposta ao acelerador é imediata, a circulação é silenciosa e podemos fazer grande parte da rotina só à base de eletrões. Já quando é preciso «dar corda aos sapatos», entram em cena os quatro cilindros do motor 2.0 TFSI para garantir uns expressivos 299 cv de potência combinada.

O melhor elogio que posso fazer a esta A5 Avant é que, apesar das suas mais de duas toneladas, nunca dei comigo com saudades da entrega linear, mas por vezes amorfa, dos blocos a gasóleo — e acreditem que sou fã destes. Aqui há uma resposta mais imediata ao acelerador, prestações que não deixam nada a desejar e uma suavidade de funcionamento que dificilmente conseguiríamos com um TDI. E o comportamento em estrada também convence.

O peso está lá, mas não se nota muito

A frente responde rapidamente, o sistema quattro garante excelente motricidade à saída das curvas e a carroçaria mantém-se sempre muito bem controlada. As mais de duas toneladas estão lá, naturalmente, mas a A5 Avant consegue disfarçá-las surpreendentemente bem. E por muito eficazes que sejam, é difícil encontrar um SUV com um comportamento semelhante.

Ao abrandar o ritmo, revela-se uma excelente companheira de viagem. A suspensão filtra bem as irregularidades, a insonorização é muito boa e a estabilidade em autoestrada transmite a segurança típica das melhores carrinhas alemãs. É precisamente aqui que reconheço a mesma facilidade para fazer quilómetros que tanto apreciava nas antigas A4 Avant TDI.

Mais económica do que um TDI? Depende

Aqui há duas realidades distintas. Com a bateria carregada, a A5 e-hybrid consegue ser extremamente económica. Embora não tenha alcançado os 114 km de autonomia oficiais, percorri cerca de 80 km reais entre cidade e autoestrada sem recorrer ao motor de combustão. Para muitos condutores, significa poder realizar praticamente toda a rotina diária sem gastar gasolina. Mas as vantagens não são absolutas. Sem autonomia elétrica disponível, ou explorando com frequência os 299 cv, os consumos sobem rapidamente.

Ainda assim, mesmo com a autonomia elétrica esgotada, o sistema gere exemplarmente a transição entre os dois motores, permitindo-me registar médias de 5,6 l/100 km sem grande esforço. É um resultado muito interessante, embora não seja necessariamente suficiente para superar a eficiência de um bom TDI em longas viagens de autoestrada. Como qualquer híbrido plug-in, esta Audi exige a disciplina de carregar regularmente a bateria para tirar partido de todo o seu potencial de poupança.

E é aqui que está a grande diferença face ao Diesel, que apenas exige colocar gasóleo no depósito. No caso da A5 e-hybrid, temos de colocar gasolina e carregar a bateria. Exige hábitos de utilização diferentes, se queremos que seja mais económica que o Diesel no dia a dia. Para quem tem possibilidade de a carregar em casa ou no trabalho, a troca faz cada vez mais sentido. Para quem passa os dias na autoestrada, o Diesel ainda tem argumentos para continuar na discussão.

Mais tecnologia, mas a mesma fatura de sempre

O sistema híbrido plug-in convenceu-me. Já o preço continua a ser um argumento mais difícil de aceitar. Com um preço base de 62 500 euros, que sobe para 76 795 euros com os extras da unidade ensaiada, a Audi A5 Avant e-Hybrid é cara.

Como termo de comparação, a BMW Série 3 Touring híbrida plug-in começa nos 58 900 euros e a Mercedes-Benz Classe C Station nos 62 200 euros. Ambas ficam abaixo da Audi. Curiosamente, nem a opção Diesel é a mais barata. A Audi A5 Avant TDI começa nos 63 165 euros, ligeiramente acima da híbrida plug-in, mas conta apenas com 204 cv e tração dianteira. Em contrapartida, anuncia um consumo homologado de 4,9 l/100 km, sem depender de carregamentos de uma bateria.

Sempre gostei da combinação entre uma carrinha Audi e um bom motor TDI, mas esta A5 Avant e-hybrid fez-me praticamente esquecer o Diesel. Continua a ser uma excelente companheira de viagem, confortável, estável e muito competente em estrada. E agora consegue fazer grande parte da rotina diária em modo elétrico. Pena que a eletrificação tenha trazido mais peso, roubado espaço à bagageira e não tenha resolvido o principal calcanhar de Aquiles desta Audi: o preço.

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