A imprensa internacional acompanha atentamente as eleições presidenciais deste domingo, 25, enxergando a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um teste crucial para uma possível mudança no pêndulo político do país e seu alinhamento na geopolítica global.
Para o jornal argentino La Nación, uma vitória de Flávio, que saiu à frente no 1º turno e se manteve em vantagem nas pesquisas de intenção de voto, consolidaria o que alguns, entre eles, o presidente da Argentina, Javier Milei, chamam de uma onda azul de governos de direita na região.
“Será o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, mais um do grupo? E, ainda mais importante: implicará a chamada onda azul uma virada de médio ou longo prazo ou, pelo contrário, apenas um movimento do pêndulo latino-americano, que carece da força necessária para perdurar por longos anos?”, questiona a publicação.
O diário argentino aponta ainda que o desgaste de Lula após três mandatos foi o motor principal que impulsionou o candidato do PL ao primeiro lugar no primeiro turno. “Claro que os Bolsonaro têm sua base ideológica fiel, mas com essa base não ganhariam uma eleição. Se ganharem, será por serem a opção frente a Lula. E o mesmo vale para o presidente do Brasil. Ser o único que pode derrotar um Bolsonaro é o que lhe permite dizer que, sem ele, não haverá democracia no Brasil e estará em jogo a soberania do País”, analisa.
Visão de debates e programas sociais
Já o jornal Clarín destaca que o confronto nas urnas vai além de uma simples divisão entre esquerda e direita, focando nas capacidades de cada gestão. Enquanto Lula acumula três mandatos e indicadores macroeconômicos eficientes, Flávio concentra esforços nas demandas sociais.
“A questão social desempenha um papel decisivo nesta etapa final”, aponta o Clarín, ressaltando que a campanha governista conseguiu reverter o impacto inicial da derrota no primeiro turno por meio de uma ofensiva estratégica que abrangeu benefícios, como o pagamento do reajuste do Bolsa Família e o fim da escala de trabalho 6×1.
Impacto global e a influência dos Estados Unidos
Na França, o jornal Le Monde classificou o pleito brasileiro como o mais importante do ano, ao lado das eleições de meio mandato dos Estados Unidos marcadas para 3 de novembro. A publicação avalia que os eleitores escolhem “entre duas visões radicalmente opostas, cujas consequências se estenderão muito além das fronteiras do País”.
O jornal francês descreve a candidatura de Lula como a “continuidade do progresso social, a proteção ambiental, a defesa das instituições democráticas, a soberania nacional e o multilateralismo”. Em contrapartida, o senador do PL propõe uma “política de segurança repressiva, um programa econômico ultraliberal e o alinhamento com o governo Trump”. Segundo o Le Monde, o triunfo de Flávio deixaria toda a América do Sul sob a órbita de Washington, com exceção apenas do Uruguai.
O tema também dominou um editorial do americano The New York Times. O texto aponta o “histórico problemático” de interferência dos Estados Unidos em pleitos estrangeiros e critica a postura da gestão de Donald Trump no cenário brasileiro. O jornal menciona que, embora Trump não tenha formalmente endossado o jovem Bolsonaro, ele adotou medidas fora da tradição diplomática americana.
“Essa intromissão é prejudicial à causa da democracia e ao interesse nacional dos Estados Unidos. A interferência externa nas eleições de um estado democrático é antidemocrática: afinal, americanos não fazem parte do corpo político brasileiro. Subjacente às intervenções do governo Trump está uma mensagem desrespeitosa de que os americanos – ou pelo menos um pequeno número deles – acham que sabem melhor do que os brasileiros o que é melhor para o Brasil”, sentencia o editorial.
Alinhamento internacional e Israel
A rede catariana Al Jazeera apontou que governos latino-americanos têm estreitado laços com Israel para reverter medidas de isolamento adotadas em decorrência da guerra em Gaza, e avalia que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro colocaria o Brasil nesse mesmo rumo.
A emissora lembra que o parlamentar exibiu bandeiras israelenses em comícios e destacou sua proximidade com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Para a pesquisadora Marta Tawil Kuri, do Colégio do México, há uma “convergência” entre líderes de direita em busca de validação em Washington, apoio de bases evangélicas e uma ofensiva diplomática israelense na região.
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