Apesar dos planos da Volkswagen para congelar salários terem dado que falar, a Volkswagen Autoeuropa aplicou em outubro o aumento salarial de 2,5% previsto no acordo laboral em vigor, apesar de a administração do grupo alemão estar a ponderar congelar as remunerações globais nos níveis de 2026 até 2030. A confirmação da atualização salarial foi dada por Rogério Nogueira, coordenador da Comissão de Trabalhadores da fábrica de Palmela, ao ECO.
O reajuste, que possui um valor mínimo de 50 euros, representa a segunda atualização remuneratória estabelecida no acordo com validade até 30 de junho de 2027. Vale lembrar que a primeira alta, fixada em 2,8%, entrou em vigor no começo deste ano.
Até o momento, malgrado as intenções da marca alemã, o cenário em território português permanece inalterado, embora o comitê laboral siga monitorando o desdobramento da crise na Alemanha. Paralelamente, o conglomerado automotivo executa um programa de reestruturação que projeta a eliminação de cerca de 100 mil postos de trabalho e pode culminar no fechamento de unidades fabris em solo alemão.
Negociações só começam em maio
Rogério Nogueira pontuou que não há, neste momento, nenhuma diretriz que vá além do que já foi estipulado. O dirigente lembrou que as tratativas para uma nova convenção coletiva estão agendadas apenas para junho de 2027, preservando o pacto atual entre a companhia e os funcionários.
Em data recente, o colegiado de empregados expressou apreensão quanto à hipótese de o congelamento salarial atingir a planta portuguesa. “Não aceitaremos que sejam, mais uma vez, os trabalhadores a pagar a fatura de uma situação pela qual não são responsáveis”, afirmou o grupo por meio de nota oficial.
A representação dos empregados assegurou que vigiará os desdobramentos na matriz e adotará medidas se julgar pertinente. “Caso esta estratégia venha a ser concretizada, reagiremos com firmeza e determinação, recorrendo a todos os meios de intervenção e mobilização ao nosso alcance para defender os salários, os direitos e o poder de compra dos trabalhadores”, ressalta o comunicado.
Cenário na Alemanha e aperto financeiro
No país europeu, o atrito entre a montadora e os sindicatos atinge outro patamar. Enquanto o sindicato IG Metall exige reajustes nos pagamentos, a alta cúpula da montadora busca enxugar despesas com pessoal e implementar uma reformulação profunda que engloba cortes de vagas em escala internacional.
A investida da diretoria para conter gastos ocorre em um momento de retração no mercado chinês, custos elevados decorrentes de taxas alfandegárias nos Estados Unidos e a forte pressão financeira imposta pela migração para a eletromobilidade.
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