Shopee eleva capacidade no Brasil em 60% em um ano e aguarda Anvisa para vender medicamentos

Shopee amplia capacidade logística em 60% e aguarda Anvisa

Mercados

A Shopee revelou nesta terça-feira (27) a abertura de quatro novos centros de logística no Brasil, marco que consolida uma forte expansão operacional responsável por elevar a capacidade de processamento de pedidos do marketplace em 60% ao longo do último ano.

Com as novas unidades situadas em Recife, Rio de Janeiro, Vitória e Blumenau (SC), além da triplicação da área do complexo em Piracicaba (SP), a empresa de comércio eletrônico ligada ao grupo cingapuriano Sea agora totaliza 30 centros de distribuição em território brasileiro, frente aos 16 registrados no ano anterior. Desse total, 25 operam no formato “cross-docking” e cinco funcionam como “fulfillment”, modalidade em que a companhia também realiza a armazenagem de mercadorias de lojistas parceiros.

A marca desembarcou no mercado brasileiro em 2020 e, atualmente, posiciona-se entre as principais empresas do setor, travando concorrência direta com gigantes como Mercado Livre e Amazon, contando com uma base superior a 3 milhões de vendedores nacionais.

Crescimento na demanda e investimentos

A corporação apontou que os quatro novos endereços e a ampliação em solo piracicabano injetaram uma capacidade adicional de processamento de 2,4 milhões de pedidos por dia, embora não tenha divulgado o volume total operacional no país.

Como parâmetro, a empresa destacou a venda de mais de 20 milhões de produtos durante a edição do 11/11, principal evento promocional da marca que superou até mesmo o volume da Black Friday.

Para a temporada atual, a varejista planeja disponibilizar R$ 25 milhões em cupons de desconto para o 11/11 — superando os R$ 20 milhões aplicados no ano passado — e R$ 23 milhões destinados à Black Friday, quantia superior aos R$ 16 milhões investidos em 2025. “Estamos muito focados em crescer nossa capacidade agora para atender esse aumento expressivo de demanda do final do ano”, afirmou o diretor de logística e estratégia da Shopee, Tiago Freddi, em encontro realizado no centro de distribuição situado em Franco da Rocha (SP).

Regulamentação de medicamentos

Em relação ao mercado farmacêutico, a Shopee optou por aguardar a finalização das diretrizes normativas da Anvisa antes de permitir que farmácias comercializem remédios em sua estrutura digital, conforme explicou o diretor de desenvolvimento de negócios e operações de fulfillment, Felipe Lima.

“A gente tem acompanhado muito a regulamentação, inclusive, em discussões com a Anvisa, e nós entendemos que a gente precisa ainda ter mais clareza quanto a essa legislação antes de fazer algum movimento,” pontuou.

O movimento ocorre após o Mercado Livre iniciar, no mês passado, a comercialização de medicamentos no Brasil, atuando tanto por meio de farmácia própria quanto com estabelecimentos parceiros. Uma legislação aprovada pelo Congresso e sancionada recentemente abriu espaço para a venda de remédios em marketplaces, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda elabora regras específicas sobre o tema.

Como a Shopee não possui operações próprias de varejo (o modelo conhecido como 1P), a eventual comercialização de produtos farmacêuticos ocorrerá exclusivamente por meio de redes terceirizadas, detalhou o diretor de marketing, Felipe Piringer.

Atualmente, mais de 40 redes de farmácias já utilizam o marketplace para comercializar itens correlatos, a exemplo de cosméticos. Lima acrescentou que o entendimento interno é de que os remédios precisarão ser despachados diretamente dos estabelecimentos comerciais aos consumidores, fluxo que poderia ser suportado pela modalidade Turbo, serviço estreado em agosto na capital paulista com promessa de entregas em até 4 horas.

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