Conheça James Talarico, evangélico que derrotou nome de Trump no Texas

Conheça James Talarico, o evangélico que derrotou aliado de Trump

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As recentes eleições de meio de mandato nos Estados Unidos trouxeram mudanças profundas no cenário político do país, com destaque para o Texas. O estado, historicamente considerado um reduto do partido Republicano do presidente Donald Trump, viu os democratas conquistarem vitórias históricas nas urnas. Entre os principais protagonistas desse novo mapa político está James Talarico, que se tornou o primeiro democrata a conquistar uma vaga pelo Texas no Senado desde 1988.

Ele derrotou Ken Paxton, que recebeu o apoio de Trump ainda na primária do partido Republicano, sobressaindo-se sobre o senador John Cornyn. A repercussão do pleito foi expressiva. “O Texas talvez nunca mais seja o mesmo”, definiu o jornal The New York Times, enquanto Garry Mauro, político democrata local, classificou o resultado como “um tsunami”. Outros representantes apontaram que o pleito encerra o papel do estado como laboratório de leis conservadoras para o país.

As midterms — nas quais os americanos elegem deputados para a Câmara dos Representantes, um terço do Senado e governadores — significaram derrota para o presidente Trump, cuja oposição democrata conquistou maioria nas duas Casas do Congresso. No Texas, Gina Hinojosa também fez história ao derrotar o governador Greg Abbott, tornando-se a primeira governadora hispânica do estado.

Origens e trajetória religiosa

James Talarico nasceu no Texas, região de fronteira com o México que lida de perto com o fluxo migratório. Deputado estadual desde 2018, ele tem 37 anos e é ex-professor de literatura e língua inglesa. Lecionou em uma escola pública em San Antonio, bairro com forte presença de mexicanos e uma das áreas mais pobres do estado.

Em seu site de campanha, relata que foi criado pela mãe e teve um pai biológico com problemas de álcool, o que por vezes “o levava a cometer atos de violência”. Talarico é seminarista presbiteriano e defende que sua fé o faz rejeitar o nacionalismo cristão, comprometendo-se com um projeto democrático no qual todas as pessoas e famílias, independentemente de diferenças, “possam ser verdadeiramente livres e alcançar seu pleno potencial”.

Seu mandato de seis anos no Senado terá início em janeiro de 2027. Entre suas bandeiras estão a retirada do governo de decisões privadas, como a proteção ao acesso a métodos contraceptivos, à fertilização in vitro, à legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo e à regulação da maconha para adultos, “para que as pessoas deixem de ser presas por uma substância que já é legal em metade do país”.

Imigração e saúde

Pertencente à oitava geração de uma família texana, Talarico afirma: “Minha família vive aqui desde quando o Texas ainda fazia parte do México.” Para ele, a proximidade com a temática traz uma visão realista: “Nós, texanos, entendemos a imigração melhor do que a maioria dos americanos – tanto seus desafios quanto seus benefícios”.

Ele defende mudanças na atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), propondo que a fronteira tenha “um tapete de boas-vindas na entrada e uma fechadura na porta”. Segundo o senador eleito, “podemos tanto acolher o estrangeiro – refugiados, solicitantes de asilo e pessoas que querem contribuir para nossa economia e buscar o sonho americano – quanto impedir a entrada daqueles que pretendem nos fazer mal”. Em postagem na rede X (antigo Twitter), reforçou: “O ICE deveria estar combatendo os cartéis, não nossas comunidades. O ICE deveria estar deportando membros de gangues, não pequenos empresários. O ICE deveria estar caçando traficantes de pessoas, não mães e bebês”.

Portador de diabetes tipo 1, Talarico também luta pela redução de custos de medicamentos. No Texas, defendeu projeto para limitar o copagamento da insulina a US$ 25 mensais, além de viabilizar a importação de remédios mais baratos do Canadá e combater preços abusivos das grandes farmacêuticas.

Disputa além da polarização

Em sua campanha, Talarico prometeu enfrentar “megadoadores bilionários” e destacou ser o único integrante da Assembleia Legislativa texana a nunca ter aceitado recursos de comitês de ação política empresariais. Para ele, os bilionários utilizam a estratégia de “dividir para conquistar”.

“A maior divisão neste país não é entre esquerda e direita. É entre os que estão no topo e os que estão na base”, acredita. “As pessoas que estão no topo se esforçam tanto para nos manter com raiva e divididos porque nossa união representa uma ameaça à riqueza e ao poder delas. Por isso, suas redes de televisão a cabo e seus algoritmos das redes sociais nos colocam uns contra os outros”, complementa. “Eles nos dividem por partido, raça, gênero e religião para que não percebamos que estão cortando o financiamento de nossas escolas, desmontando nosso sistema de saúde e reduzindo os impostos para si mesmos e seus amigos ricos.”

Curiosidade brasileira e polêmicas

O político também chamou atenção do público brasileiro em novembro de 2000, quando se divertiu com repercussões em redes sociais. “Estou viralizando no Brasil agora… Pelo visto, ‘talarico’ é uma gíria brasileira para ‘ladrão de mulheres’. Olá, Brasil! Estou apenas fazendo boas políticas públicas aqui no Texas – prometo que não vou roubar sua namorada”, publicou, mencionando ainda que o termo estaria ligado a uma música de Zeca Pagodinho.

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