Nvidia negocia aquisição da startup americana de modelos abertos Reflection AI

Nvidia negocia compra da startup americana Reflection AI

Tecnologia

A Nvidia está negociando a aquisição da startup americana Reflection AI, desenvolvedora de modelos de pesos abertos que o governo do presidente Donald Trump espera que rivalize com alternativas chinesas baratas, ou a ampliação de seu investimento na empresa, segundo pessoas com conhecimento direto do assunto.

As conversas estão em estágio inicial, e um acordo pode assumir diferentes formatos, incluindo uma operação conhecida como “acqui-hire”, na qual a Nvidia contrataria funcionários e licenciaria tecnologia sem passar pela prolongada análise regulatória associada a uma aquisição integral, acrescentaram as fontes.

A Nvidia, que já é uma das maiores acionistas da Reflection, também pode optar por estreitar seus vínculos com a startup por meio de um novo aporte de capital ou de um acordo para lhe fornecer mais chips e capacidade computacional.

Um acordo entre as duas empresas pode ser fechado nas próximas semanas, segundo várias pessoas a par do assunto, embora tenham alertado que as negociações podem fracassar. Não foi possível determinar os termos em discussão, mas a Reflection foi avaliada pela última vez em US$ 25 bilhões (quase R$ 125 bilhões), em uma rodada de financiamento realizada em março. Reflection e Nvidia não quiseram comentar.

As operações de “acqui-hire” tornaram-se cada vez mais populares entre as gigantes de tecnologia que buscam evitar o escrutínio antitruste sobre negócios no setor de IA. A Nvidia adotou um formato semelhante com a projetista de chips Groq, em um acordo de US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões) fechado em dezembro. Nesta semana, o negócio motivou um processo movido por funcionários da Groq que se sentiram prejudicados.

A empresa mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 5,5 trilhões (R$ 27,45 trilhões), vem promovendo uma onda de investimentos nos últimos dois anos para consolidar sua posição no centro da economia da inteligência artificial. Embora possua a família de modelos Nemotron, a companhia ainda não dispõe de um modelo próprio na fronteira tecnológica e em grande escala.

A estratégia recente tem focado em fomentar o mercado de pesos abertos, que permitem personalização e execução em hardware próprio, oferecendo custos operacionais menores em comparação ao ChatGPT, da OpenAI, ou ao Claude, da Anthropic.

Em julho, o diretor-presidente da Nvidia, Jensen Huang, defendeu a criação de um “ecossistema” nacional de pesos abertos, visto por ele como essencial para “criar oportunidades de inovação e prosperidade em todo o país”. Como parte dessa expansão, a empresa concordou em setembro em adquirir a Hugging Face por US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões).

A fabricante de chips também já injetou dezenas de bilhões de dólares em laboratórios como a OpenAI, empresas de “neocloud” como a Nebius, e em diversos grupos menores, impulsionando a demanda contínua por seus componentes.

Ativo estratégico na disputa tecnológica

A Reflection é tratada como um recurso fundamental para os Estados Unidos no confronto tecnológico com rivais chinesas, a exemplo da DeepSeek. A startup lançou recentemente seu primeiro produto público e personalizável, operado com chips da Nvidia, e sustenta que a tecnologia equipara-se ao GLM-5.2, da Z.ai. Fundada por Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, ex-pesquisadores do Gemini, do Google, a companhia já recebeu US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões) da própria Nvidia, além de aportes de fundos como Sequoia Capital, Disruptive e 1789 Capital — esta última tendo Donald Trump Jr. como sócio.

Além do respaldo corporativo, a Reflection mantém contratos estratégicos com o Pentágono, o Departamento de Energia e acordos voltados ao desenvolvimento de modelos de IA para aliados internacionais, como a Coreia do Sul.

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