Apoios aos elétricos já causaram cancelamentos de encomendas diz ACAP

Novos subsídios para elétricos provocam cancelamentos de pedidos

Automóveis

Ainda sem entrar em vigor, os novos subsídios para a aquisição de automóveis elétricos divulgados nesta semana pelo Ministério do Ambiente e Energia já geram impactos negativos no mercado automotivo de Portugal.

Conforme revelado por Helder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), os lojistas registraram uma paralisação imediata nas aquisições desde que os incentivos foram tornados públicos. A expectativa em torno das novas regras faz com que os consumidores desistam das compras atuais para aguardar mais detalhes sobre o programa governamental antes de fechar negócio.

“Os nossos associados concessionários tiveram logo cancelamentos de encomendas quando isto (novos apoios) foi anunciado”, começou por explicar Helder Pedro, lembrando que isto “também causa problemas no comércio automóvel”.

Incerteza afeta o mercado

A perspectiva de conseguir um subsídio estatal já molda o comportamento do público e, de acordo com o dirigente, o reflexo negativo aparecerá no balanço de vendas do mês de outubro.

“Os concessionários sentiram logo este problema e isso vai certamente verificar-se no total de vendas do mês de outubro, que está a fechar. Porque estes três dias foi de paragem absoluta”, adiantou o secretário-geral da ACAP.

O impasse ocorre devido à escassez de dados precisos sobre os benefícios, o que inclui o cronograma de liberação e quais automóveis serão contemplados. Para o programa voltado a famílias de baixa renda, o governo estipulou uma ajuda de até 80% do preço de compra, com teto de 15 mil euros.

Também foi confirmada uma bonificação extra de 1000 euros no limite do subsídio caso ocorra o envio de um veículo a combustão para abate. Apesar disso, continuam sem definição as diretrizes para aplicação desses tetos e a listagem de modelos aptos.

No que diz respeito aos incentivos tradicionais para a frota eletrificada, que contarão com 50 milhões de euros em verbas para 2027, persistem dúvidas sobre os patamares de reembolso, os limites de valores e o cronograma para envio de propostas.

Cobrança ao governo

Diante do cenário de instabilidade, a ACAP levou o problema diretamente às autoridades federais para alertar sobre os prejuízos que comunicados sem prazos definidos causam ao setor de revenda.

“Já fiz chegar isto ao gabinete da Ministra do Ambiente e Energia. É preciso atenção nestes anúncios”, afirmou Helder Pedro.

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