O renomado autor de ficção científica John Scalzi lançou seu vigésimo romance, intitulado “Monsters of Ohio”, combinando elementos de horror corporal, ganância corporativa e a realidade da política de cidades pequenas. A trama se passa em Richland, Ohio, um município explorado e à beira do colapso que logo se vê invadido por criaturas assustadoras e cheias de tentáculos, enquanto seus habitantes tentam levar suas vidas cotidianas.
Conhecido por levar conceitos extravagantes às suas últimas consequências em obras como “Redshirts” e “When the Moon Hits Your Eye”, Scalzi descreve seu novo trabalho de maneira inusitada. Ao ser questionado sobre como definiria o livro para novos leitores, ele resumiu: “Eu descrovo como ‘Cronenberg aconchegante’. A versão um pouco mais longa disso é ‘Stephen King e Nora Ephron são forçados a se beijar violentamente’.”
Misturando referências clássicas de monstros em pequenas cidades com o cotidiano moderno, o autor buscou explorar as consequências de um evento extraordinário sem perder de foco a rotina dos personagens. “A ideia não era necessariamente o horror, mas ver quais seriam algumas das consequências se, de repente, houvesse monstros na sua cidade e você ainda estivesse tentando passar pelo resto do seu dia”, explicou.
A construção do enredo se apoia em um vasto repertório de curiosidades e conhecimentos que o escritor acumulou ao longo dos anos. Segundo ele, seu cérebro funciona como um depósito de fatos sobre mamíferos, astronomia e decisões judiciais, tornando sua formação em filosofia ideal para encontrar e conectar informações úteis para a literatura. Embora não se considere um autor de “hard sci-fi” por não possuir formação científica avançada, Scalzi enfatiza a importância da plausibilidade científica. “Quero acertar a ciência pelo menos de forma ampla e razoável para que, quando eu entrar na parte da ficção, você possa ver isso como uma extensão natural”, pontua.
O livro também carrega um forte contraste entre cinismo e esperança, refletindo as pressões do mundo contemporâneo, como a exploração de pequenas comunidades por fundos de investimento privados e disputas locais por infraestrutura. Por outro lado, a esperança surge na solidariedade comunitária. “O jeito que eu acho que o homem comum vai conseguir passar por isso é olhar para seus vizinhos e perceber que toda a mensagem e desinformação que foi feita para nos deixar com raiva e desconfiados dos nossos vizinhos é, na verdade, feita para nos manter com raiva e desconfiados dos nossos vizinhos e, de fato, que nós precisamos da ajuda dos nossos vizinhos e que precisamos ajudar nossos vizinhos e apoiá-los o máximo que pudermos durante este tempo”, afirmou.
Questionado sobre a trilha sonora oficial da obra — uma tradição em seus lançamentos, já que o protagonista integrou brevemente uma banda emo —, Scalzi revelou que já fez consultas, embora o prazo para o lançamento em capa dura possa ter passado. E, ao ser provocado sobre a possibilidade de uma colaboração com a cantora Chappell Roan para interpretar a canção fictícia “Red Wine Massacre”, o autor brincou com o orçamento: “Eu acho que ela pode estar um pouco fora da minha faixa de preço. Quando você comissiona algo assim, você tem que pagar seus artistas, e eu acho que Chappell Roan pode ser um pouco cara para um humilde autor de ficção científica.”
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